Quando a Game Freak, estúdio responsável por décadas de Pokémon, anunciou um action RPG para adultos ambientado num Japão pós-apocalíptico, a internet ficou curiosa e cética ao mesmo tempo. Será que o pessoal que faz monstrinhos bonitinhos conseguia entregar uma aventura sombria de verdade? Entrei no jogo com expectativa moderada e saí com sentimentos bem misturados, mas sem me arrepender de ter jogado.
O Que E o Jogo
Beast of Reincarnation é um action RPG desenvolvido pela Game Freak e publicado pela Fictions, construído no Unreal Engine 5. É o primeiro título AAA do estúdio fora da franquia Pokémon, dirigido por Kota Furushima, que antes trabalhava no sistema de batalha e no som das aventuras com monstrinhos. O jogo foi lançado em 4 de agosto de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC via Steam e Xbox, chegando também no dia um do Xbox Game Pass Ultimate e PC Game Pass.
No Brasil, o jogo pode ser adquirido para PS5 e PC via Steam com preço sugerido de R$ 199,99. Quem tem Game Pass Ultimate, porém, já pode baixar sem pagar nada a mais, o que muda bastante o cálculo de custo-benefício. O OpenCritic atribuiu uma classificação “Strong” ao título, com média de 75 entre os principais críticos, com 54% deles recomendando o jogo.
A Historia (sem spoilers grandes)
A história se passa num Japão pós-apocalíptico no ano 4026. Uma entidade parasitária chamada Blight tomou conta do mundo, corrompendo animais, humanos e praticamente qualquer coisa viva. Você controla Emma, uma jovem marcada pelo Blight ao lado de seu companheiro lobo-cão chamado Koo. Como purificadora, Emma é a última esperança da humanidade para derrotar a criatura conhecida como Beast of Reincarnation e restaurar o mundo.
Existe uma tensão interessante na história: Emma é a única esperança da humanidade, mas os humanos a desprezam por causa de sua natureza corrompida pelo Blight. Isso mergulha a narrativa em aspectos sombrios e solitários, especialmente ao reconhecer a vulnerabilidade emocional de Emma. Emma nasceu fundida com o Blight, o que lhe permite manipular vegetação e até os próprios cabelos para se mover e lutar. Ela é descrita como desprovida de memória e emoção, vivendo em isolamento, tendo a caça aos malefacts como único propósito. Koo, por sua vez, é um daqueles personagens que você acaba amando muito antes de chegar na metade do jogo.
Gameplay — Como E Jogar de Verdade
O combate é, simplesmente, o melhor do jogo. Beast of Reincarnation combina ação em tempo real com combate por comandos: você controla Emma em batalhas ferozes de espada enquanto aciona Koo para ataques especiais com o Blight. Quanto mais parries bem-sucedidos você executa, mais Florescence Points (FP) você acumula para Koo selecionar e realizar ataques poderosos. Ao mesmo tempo, cada parry aumenta o medidor de atordoamento do inimigo, causando uma abertura para o golpe final.
Emma é equipada com uma katana para combate corpo a corpo, mas também pode usar arcos e bestas para dano à distância, com diferentes tipos de munição. Os jogadores podem customizar a abordagem com árvores de habilidades, equipamentos e Spirit Stones, além de encontrar novas katanas para Emma e Amuletos para Koo durante a exploração. As descrições oficiais mencionam estilos de combate variados: à distância, furtivo e agressivo.
Koo também serve de guia: ele sinaliza objetivos com um indicador visual de feromônio, late quando encontra algo de interesse e até traz itens de volta para Emma. Koo tem sua própria barra de vida, e você pode expandir os espaços de habilidade dele aumentando o vínculo da Emma com ele, acariciando-o, dando petiscos e mantendo-o limpo com o banho disponível na Cleanse Walker, a base móvel de Emma. O sistema de vínculo com o cachorro é genuinamente emocionante e funcionou bem para me prender na progressão.
O problema é que o mundo ao redor do combate brilhante é, na maior parte do tempo, sem graça. O cenário explorável é monótono e a estrutura de jogo empurra você para frente sem muito interesse na mistério que o ambiente deveria evocar. Tudo te canaliza para a próxima luta. Ainda bem que essa próxima luta é a melhor parte do Beast of Reincarnation.
Momentos Que Ficaram na Memoria
O primeiro confronto com um Nushi de verdade foi simplesmente espetacular. Você passa as primeiras horas acumulando FP, aprendendo a fazer parry, e de repente o jogo joga um chefão gigante na sua cara que te obriga a usar tudo que aprendeu. A sensação de finalmente quebrar o medidor de atordoamento e soltar Koo nos ataques especiais dá uma adrenalina que raramente um jogo entrega tão cedo.
O New Game Plus também foi uma grata surpresa: depois de terminar o jogo uma vez, iniciar o modo NG+ deixa tudo mais difícil e ainda mais divertido de jogar. É aquele tipo de recurso que faz você entender que o combate tem muito mais profundidade do que parecia no início, e que vale rejogá-lo só para experimentar builds diferentes com a Emma e o Koo.
Os problemas de performance também deixaram momentos que ficaram na memória, mas do jeito errado: quedas de quadros frequentes, pop-ins, texturas de baixa qualidade e paredes invisíveis aparecem em momentos que quebram totalmente a imersão. Num duelo tenso de parry, a câmera travando perto demais foi responsável por pelo menos três mortes injustas aqui. É frustrante porque o jogo claramente tem potencial para ser muito mais polido do que chegou.
Dicas Para Quem Vai Jogar
- Nos consoles, vá direto nas configurações e ative o modo de Performance a 60 FPS como padrão. O modo Cinemático causa uma experiência inicial menos fluida, e a Game Freak já reconheceu que deveria ser o padrão desde o início.
- Foque em acumular parries cedo: cada parry bem-sucedido gera Florescence Points para Koo. Quanto mais você pratica isso nas lutas comuns, mais preparado fica para os chefões Nushi, onde o sistema realmente brilha.
- Se você detesta fazer parry, saiba que os ataques à distância no Beast of Reincarnation são absurdamente poderosos se você focar em evoluí-los. É uma build viável que evita boa parte da frustração do combate corpo a corpo.
- Nunca ignore o sistema de vínculo com o Koo. Acaricie ele, dê petiscos e use o banho na Cleanse Walker sempre que puder. Expandir os espaços de habilidade do Koo faz enorme diferença nos confrontos mais pesados do jogo.
- O primeiro patch já corrigiu problemas com a câmera do jogador, o tamanho de texto pequeno e o ritmo das conversas de afinidade. Instale a atualização antes de começar, e fique de olho nas próximas, pois a Game Freak prometeu mais melhorias chegando.
O Que Esta Otimo
- Sistema de combate extraordinário, um dos mais divertidos e interessantes jogados nos últimos tempos, com mecânicas de parry, ataques de Koo e progressão de build que mantêm o engajamento do começo ao fim.
- A dupla Emma e Koo funciona muito bem: a história e o vínculo entre os dois é genuinamente cativante, com personagens que transmitem profundidade e fazem a jornada valer mesmo nos momentos mais frustrantes do jogo.
- O mundo do Beast of Reincarnation tem uma premissa visual fascinante: é um Japão pós-apocalíptico onde o Blight causa mudanças na paisagem, com florestas inteiras surgindo de repente em espaços destruídos. Essas florestas blightadas são dominadas pelos Nushi, chefões poderosos que controlam partes do mundo.
O Que Podia Ser Melhor
- Performance e problemas visuais sérios afetam a experiência: há relatos de problemas gráficos que parecem uma regressão à geração anterior de consoles, além de uma câmera difícil de controlar durante os confrontos mais tensos.
- Variedade de inimigos limitada, confrontos de chefe que às vezes se prolongam mais do que deveriam, e alguns problemas técnicos pontuais que tiram o brilho de um jogo que claramente tem muito a oferecer quando funciona bem.
Vale o Preco?
Para quem tem Game Pass Ultimate ou PC Game Pass, a resposta é simples: baixe agora, não custa nada a mais na assinatura. Assinantes das tiers inferiores, Essential e Premium, não têm acesso ao jogo no lançamento. Essa divisão é um pouco chata, mas para quem está no Ultimate, é uma das melhores adições do ano ao catálogo.
Para quem vai comprar na PS Store ou Steam, o jogo sai por R$ 199,99. No estado atual, com os problemas de câmera e performance ainda sendo corrigidos por patches, esse preço pede uma reflexão. O combate é excelente e a dupla Emma e Koo encanta, mas o mundo aberto fraco e os bugs técnicos tornam difícil recomendar full price. Esperem uma promoção de 30% para o custo-benefício fazer sentido.
Veredicto Final
Beast of Reincarnation é a prova de que a Game Freak tem muito mais a oferecer do que Pokémon. O combate é viciante, a dupla Emma e Koo é genuinamente emocionante, e a premissa do Japão de 4026 destruído pelo Blight tem charme de sobra. O problema é que o jogo chegou com arestas técnicas que machucam em momentos que deveriam ser épicos, e o mundo aberto não corresponde à qualidade das batalhas. Se você tem Game Pass Ultimate, é COMPRA imediata. Quem vai pagar full price no PS5 ou Steam, o veredicto honesto é ESPERA PROMOÇÃO: o jogo melhora a cada patch e vai estar ainda melhor em alguns meses por uma fração do preço.
Nota EpicPixel
3.5/5
Veredicto: ESPERA PROMOCAO — combate brilhante e dupla carismática, mas problemas técnicos e mundo sem graça seguram o jogo longe do topo
