EP162 — Review: Beast of Reincarnation — A Game Freak finalmente cresceu, e foi com uma katana na mão

Quando a Game Freak anunciou um action RPG sem Pokémon no nome, a internet foi ao caos. Eu fiquei na dúvida: aquela galera que mal consegue rodar Scarlet e Violet direito ia conseguir entregar um jogo de ação técnico de verdade? Pois bem, chega de ceticismo, porque Beast of Reincarnation acaba de pousar e, meu amigo, a resposta é sim. Com muita convicção.

O Que E o Jogo

Beast of Reincarnation é um action RPG desenvolvido pela Game Freak e publicado pela Fictions. É o primeiro título AAA do estúdio fora da franquia Pokémon, com direção de Kota Furushima, que trabalhou no sistema de batalha e no som de vários jogos da série. O jogo chegou em 4 de agosto de 2026 para PlayStation 5, Windows e Xbox Series X/S. Roda em Unreal Engine 5, e dá para ver que o motor foi bem aproveitado, especialmente na direção de arte.

No Brasil, o jogo chegou custando entre R$ 199,99 e R$ 249,99 dependendo da plataforma. Para quem está no Xbox ou PC, vale destacar que Beast of Reincarnation é um título day one no Game Pass Ultimate com suporte Play Anywhere, ou seja, uma licença cobre console e PC com saves e conquistas compartilhadas. Quem joga no PS5 vai ter que desembolsar o preço cheio mesmo. O investimento vale? A gente vai chegar lá.

A Historia (sem spoilers grandes)

O jogo se passa no Japão do ano 4026, e a história acompanha Emma, a Seladora, e seu cachorro Koo enquanto navegam por uma terra pós-apocalíptica destruída pela corrupção. Emma é uma jovem de 18 anos com poderes da praga que consegue manipular plantas para se locomover e lutar. Seu companheiro é um cachorro chamado Koo, e juntos eles trabalham para libertar o Japão pós-apocalíptico de uma criatura corrompida que destruiu o mundo natural.

Koo é um cachorro infectado pela praga e também é um malefact. Emma e Koo deveriam ser, pelas regras desse mundo, inimigos naturais. Em vez disso, o encontro dos dois coloca a história em movimento, mandando-os por uma paisagem áspera e misteriosa rumo ao Beast of Reincarnation, a fonte de toda a corrupção. O estilo artístico e a narrativa do jogo foram comparados a obras do Studio Ghibli, como Princesa Mononoke. Não é exagero. A tensão entre Emma e Koo, o mundo que parece vivo e hostil ao mesmo tempo, tudo remete àquela sensação Ghibli de beleza num cenário devastado. A narrativa promete ser brutal, com cada personagem escondendo uma verdade perigosa, revelando aos poucos os destinos entrelaçados de Emma e Koo.

Gameplay — Como E Jogar de Verdade

Beast of Reincarnation é um RPG de ação com uma fusão de combate em tempo real e em turnos. Parece contradição, mas funciona de um jeito que vai fazer você bater palma. O combate mistura a ação rápida de katana de Emma, centrada em parries no ritmo de Sekiro, com um menu de comandos para o Koo que desacelera o tempo enquanto você escolhe as habilidades dele, como um RPG por turnos sangrando no tempo real. Os parries bem-sucedidos geram os pontos que alimentam as habilidades do Koo, então a defesa literalmente impulsiona seu ataque.

Koo pode desencadear ataques chamados Bloom Arts. Usá-los consome Florescence Points (FP), que são reabastecidos quando Emma faz um parry. Ao abrir o menu dos Bloom Arts do Koo, tudo fica em câmera lenta para que você tenha tempo de escolher o ataque. Você pode segurar isso pelo tempo que quiser, um descanso bem-vindo da luta rápida, algo semelhante à desaceleração de seleção de comandos do Final Fantasy VII Remake. É uma elegância mecânica que poucos jogos de ação conseguem. Você está no meio de uma pancadaria intensa, faz um parry perfeito, o mundo para, você respira, escolhe o ataque certo do Koo e manda ver. Que sensação.

A estrutura do jogo não é exatamente o que eu esperava. Não é mundo aberto, mas é bem menos linear do que muitas de suas inspirações soulslike, com vastos espaços com segredos para descobrir, itens para coletar e caminhos escondidos para explorar. São aproximadamente 10 estágios com cerca de 30 horas de gameplay, segundo o próprio diretor. Quem quiser ir além pode facilmente chegar às 40 horas vasculhando tudo. É possível personalizar a abordagem com árvores de habilidades, equipamentos e Spirit Stones, enquanto a exploração recompensa com novas katanas para Emma e Charms para Koo. Descrições oficiais mencionam estilos de combate à distância, furtivo e agressivo, então o jogo oferece bastante flexibilidade em como encarar o mundo brutal.

O jogador controla Emma, uma pária que nasceu com a praga. Temida e rejeitada pela sociedade, Emma tem a habilidade de manipular crescimentos semelhantes a plantas, incluindo o próprio cabelo, que pode ser usado para locomoção e ataques. Dá para andar facilmente do ponto A ao B, mas a graça está em usar as habilidades de videira para escalar, criar pontes e elevar Emma no ar. Essas ferramentas fazem a exploração ser uma novidade constante. Dá para pular e escalar em centenas de jogos, mas “levitar por videiras” é uma sensação única. Uma ponte de videira serve para atravessar uma lacuna, mas também pode ser usada para se posicionar acima de um inimigo para uma abordagem furtiva. O que pode cansar um pouco é que os ambientes, fora dos chefes, às vezes ficam repetitivos no design. Partes da jornada de 10 estágios ocasionalmente sofrem com layouts ambientais previsíveis.

Momentos Que Ficaram na Memoria

O primeiro encontro com um Nushi, os chefões colossais que governam cada região do mundo, é de tirar o fôlego. A praga consegue mudar a paisagem em tempo real, com florestas surgindo de repente em meio aos baldios e remodelando o ambiente. Essas florestas amaldiçoadas estão ligadas a gigantescos malefacts conhecidos como Nushi, poderosos chefões que dominam partes do mundo. Quando a música muda, o cenário inteiro se transforma ao redor de você e aquela coisa descomunal aparece na tela, a adrenalina bate feio. É o tipo de apresentação de chefe que você conta pra alguém no dia seguinte.

O momento em que o jogo clica de verdade é quando você finalmente encadeia tudo junto: faz um parry no último segundo, o tempo desacelera, você abre o menu do Koo com calma no meio do caos, escolhe o Bloom Art certo, confirma com o QTE e vê o cachorrão explodir na tela com uma habilidade absurda. Depois de escolher um Bloom Art, um QTE determina sua eficácia, lembrando Clair Obscur: Expedition 33. Aquele clique de “ah, é assim que se joga” é uma das melhores sensações que um jogo de ação pode te dar.

O momento mais frustrante: aquelas horas iniciais onde o tutorial ainda está te ensinando tudo e você fica morrendo de raiva porque esquece de fazer parry e fica tentando atacar no bruto. A Game Freak confirmou opções de dificuldade no lançamento, incluindo um Modo História para tornar o jogo mais acessível para jogadores que querem o cenário e a narrativa sem a curva de desafio mais dura. Os desenvolvedores declararam abertamente que o jogo foi projetado para ser jogado até por quem não é expert em jogos de ação. Se você chegar crente que é Sekiro no dificil e tentar ignorar a mecânica central, vai sofrer bastante. Use o Modo História sem vergonha alguma pra entender o loop.

Dicas Para Quem Vai Jogar

  • Use os parries de Emma para gerar pontos, depois abra o menu de comandos do Koo para desacelerar o combate e selecionar uma habilidade adequada à situação atual. Isso é o coração do jogo. Se você ignorar isso, vai bater cabeça nos chefões.
  • Use o cabelo de videira de Emma para atravessar terrenos destruídos, alcançar posições elevadas e se posicionar acima de um inimigo para realizar uma assassinada furtiva antes que o combate direto comece. Muita gente ignora a furtividade e perde a vantagem inicial.
  • Explore bem cada área: a exploração recompensa com novas katanas para Emma e Charms para Koo. Não saia correndo para o objetivo principal sem vasculhar os cantos, os equipamentos encontrados fazem diferença real no combate.
  • Foque em preencher o stun gauge do inimigo para desativá-lo temporariamente e então conseguir desgastar o HP dele de forma mais eficiente. Com os Nushi maiores, essa mecânica é quase obrigatória.
  • Se estiver travado num chefe e a frustração bater, não hesite em usar o Modo História. Os desenvolvedores colocaram essa opção ali exatamente para você aproveitá-la. Não tem prêmio por sofrer desnecessariamente, e o jogo é muito melhor quando você está curtindo a narrativa.

O Que Esta Otimo

  • O loop de combate inovador: controlar os ataques de espada em tempo real de Emma enquanto ativa estrategicamente as habilidades do Koo via pontos de parry se sente genuinamente novo. É uma fórmula que parece óbvia depois que você a entende, mas ninguém tinha feito assim antes.
  • A direção de arte é impressionante: a Game Freak e a Fictions entregaram uma mistura visual marcante de tecnologia sci-fi e folclore japonês coberto pela natureza. Cada região do jogo tem uma identidade visual própria, e ver a paisagem se transformando com a praga é algo que você não esquece.
  • A jornada oferece momentos de solidão e também a confiabilidade e o conforto do companheiro. A relação entre Emma e Koo é construída com cuidado genuíno. Não é um cachorro genérico de suporte; ele tem personalidade, reage ao mundo e faz você se importar com o que acontece com ele.

O Que Podia Ser Melhor

  • Alguns previews apontam que a tela pode ficar um pouco caótica durante lutas de alta intensidade, com elementos de interface demais rastreando os gauges de combo. É uma crítica legítima, especialmente para quem não está acostumado com jogos de ação mais técnicos. Numa luta contra um Nushi com tudo piscando na tela, você pode se perder facilmente.
  • As partes de exploração sofrem um pouco com layouts ambientais previsíveis, especialmente nos estágios intermediários. O combate evolui bem ao longo das horas, mas os corredores e ruínas que conectam os momentos grandes às vezes parecem genéricos, uma pena num jogo com direção de arte tão forte.

Vale o Preco?

A campanha ambiciosa da Game Freak pode levar até 40 horas para ser completada, e mistura combate de espada em tempo real com comandos táticos de companheiro numa campanha com cerca de 30 a 40 horas de duração, com o mundo pós-apocalíptico renderizado em Unreal Engine 5. Para quem vai pagar os R$ 199,99 da versão padrão, essa quantidade de conteúdo com essa qualidade de execução justifica o preço cheio, especialmente considerando que não é um jogo fácil de ser largado no meio.

No Xbox e PC, Beast of Reincarnation é título day one no Game Pass Ultimate com suporte Play Anywhere, o que torna o teste completamente sem risco. Se você assina Game Pass, baixe na hora. No PS5, é compra direta, mas um jogo com esse escopo e essa originalidade vale sim o investimento. Não é todo mês que a Game Freak decide virar o jogo e entrega um action RPG técnico de qualidade. Isso aqui é histórico para o estúdio.

Veredicto Final

Beast of Reincarnation é, sem drama, uma das maiores surpresas de 2026. É o primeiro título AAA da Game Freak fora da franquia Pokémon, e o estúdio não apenas entregou, mas chegou com um jogo que tem identidade própria, mecânicas originais e uma dupla protagonista que você vai querer proteger com a sua vida. O combate é viciante, a direção de arte é linda, e a história tem camadas. Os problemas existem, a interface pode encher a tela e a exploração enjoa um pouco nos trechos menos inspirados, mas nada que tire o brilho do todo. Se você tem Game Pass, é download obrigatório agora. Se joga no PS5, é COMPRA. Simples assim.

🎮

Nota EpicPixel

Hype Score
4.0/5

Veredicto: COMPRA — O jogo entrega exatamente o que prometeu: combate técnico viciante, uma dupla protagonista inesquecível e uma das surpresas mais gostosas do ano