EP191 — Review: Star Wars Zero Company — o XCOM que a Guerra Clônica merecia

Confesso que fiquei desconfiado quando anunciaram mais um jogo de Star Wars. Depois de tanta coisa morna saindo por aí, minha expectativa tava baixa. Mas Star Wars Zero Company chegou fazendo barulho, virou assunto em todo canto e resolvi encarar o desafio pra ver se o hype se sustentava. Spoiler rápido: sustentou, e ainda me surpreendeu em pontos que eu nem esperava.

O Que E o Jogo

Star Wars Zero Company é um jogo de tática por turnos, feito pela Bit Reactor, estúdio novo formado por gente que trabalhou em XCOM, Civilization e até Gears of War. Publicado pela EA em parceria com a Lucasfilm Games, ele chegou dia 27 de agosto pra PC, PS5 e Xbox Series X|S. No PC custa 49,99 dólares na versão padrão e 59,99 na Deluxe, enquanto nos consoles a base já sai por 59,99.

Se você já jogou qualquer XCOM da vida vai se sentir em casa rapidinho. A pegada é a mesma: montar esquadrão, planejar movimento, cobertura, ataque, e torcer pra aquele tiro de 85% de chance não errar feio bem na hora errada. A diferença é que aqui a ambientação é toda dentro do universo Star Wars, especificamente durante a Guerra Clônica.

A Historia (sem spoilers grandes)

A história se passa em 20 ABY, no fim da Guerra Clônica, mas longe dos holofotes das grandes batalhas dos Jedi e do exército clone que a gente já viu em filmes e séries. Aqui o foco é nas margens da guerra, nas operações que ninguém quer assumir oficialmente. Você controla Hawks, um ex-oficial da República que caiu em desgraça depois de perder toda a sua unidade em combate, e que agora monta um grupo de mercenários fora do registro oficial: a Zero Company.

O elenco é bem diverso e cada personagem carrega um peso próprio na narrativa. Tem a Tel-Rea Vokoss, uma Padawan Tognath que perdeu o mestre e busca honrar a memória dele, e o Trick, um clone dispensado por motivos médicos que luta pra entender quem ele é fora do exército. Do outro lado tem o Infinite Coil, facção separatista liderada pela vilã Kundri Fathom. E sim, tem participações especiais que vão surpreender fãs de longa data, incluindo uma aparição de Anakin Skywalker e, mais pra frente na campanha, um contato direto com o Capitão Rex. A narrativa consegue equilibrar bem o grande conflito galáctico com histórias pessoais bem construídas, sem parecer forçado.

Gameplay — Como E Jogar de Verdade

O combate funciona em turnos, com câmera em terceira pessoa e cortes cinemáticos entre as ações, bem no estilo que quem jogou o reboot de XCOM da Firaxis vai reconhecer na hora. Cada personagem tem três pontos de ação por turno pra dividir entre se mover, atirar e usar habilidades, e essas habilidades mudam dependendo da classe escolhida. Você leva até quatro personagens pra cada missão, então a composição do esquadrão importa muito.

O que mais me pegou foi o sistema de customização. Você não fica preso só aos personagens de história, dá pra criar seus próprios mercenários escolhendo espécie, entre Humano, Togruta, Twi’lek, Zabrak, Mirialan, Devaronian, Weequay, Rodiano, Ovissiano, Neimoidiano ou até Clone, além de aparência, voz, roupa, nome e especialização. O próprio Hawks passa por esse processo de criação logo no início, com direito a escolha de gênero e tudo mais. É o tipo de detalhe que faz você se apegar ao esquadrão de um jeito diferente, porque aquele soldado ali é literalmente seu.

O sistema de classes tem uma sacada legal, que é permitir empilhar uma classe secundária em cima da primária. Isso significa que dá pra montar um personagem com dois kits de habilidades ao mesmo tempo, o que abre muito espaço pra combinações estranhas e divertidas. A única exceção é a Tel-Rea Vokoss, que sempre continua como Padawan Jedi e não pode ser trocada pra outra classe, o que faz sentido dentro da história dela.

E aí vem a parte que separa quem gosta de verdade desse gênero de quem só acha bonitinho: o permadeath. Seus recrutas customizados estão sujeitos à mesma regra dos personagens de história, ou seja, podem sofrer ferimentos permanentes ou simplesmente morrer de vez. A narrativa continua andando independente de quem você perde, o que dá um peso emocional real pra cada decisão tática. Não é aquele jogo em que você recarrega o save toda vez que algo dá errado, pelo menos não devia ser, porque a tentação de recarregar existe sim.

Momentos Que Ficaram na Memoria

Teve uma missão em que eu tava com 90% de certeza que ia limpar o mapa sem perder ninguém. Posicionei todo mundo em cobertura, flanqueei o inimigo principal, e na hora do tiro de execução, com quase certeza absoluta de acertar, errei feio. O inimigo sobreviveu com um HP de sobra, chamou reforço e virou o jogo. Aquele nervosismo clássico de XCOM tá todo presente aqui, e isso é ótimo.

Outro momento que me pegou foi bem mais emocional do que tático. Um dos meus mercenários customizados, que eu já tinha levado em quase toda missão e até dado um nome bobo em homenagem a um amigo meu, ficou gravemente ferido numa emboscada. Passei o resto daquela missão inteira jogando na defensiva só pra tentar tirar ele vivo dali, e quando consegui, senti um alívio real que jogo nenhum me dá há tempos.

E claro, tem os momentos de fã raiz. Quando o Capitão Rex aparece de novo na história, depois da ascensão do Império, dá aquele friozinho na barriga de quem cresceu vendo Clone Wars e Rebels. O jogo sabe muito bem quando puxar essas referências sem exagerar, e isso faz toda diferença pra quem curte o universo de verdade.

Dicas Para Quem Vai Jogar

  • Capriche na criação dos seus mercenários customizados logo no começo, porque você vai se apegar rápido e o permadeath vai doer mais se for alguém que você mal conhece.
  • Teste as combinações de classe dupla antes de fixar seu time principal, porque algumas sinergias entre classe primária e secundária mudam completamente a forma de jogar.
  • Não force a barra em missões achando que dá pra recuperar tudo depois, o jogo pune bastante quem toma risco desnecessário sem cobertura.
  • Se você é fã de longa data, preste atenção nos detalhes de diálogo e cenário, porque tem referência escondida pra quem acompanha Clone Wars e Rebels.
  • Lembre que a Tel-Rea Vokoss não pode trocar de classe, então planeje o esquadrão em volta dela como fixa Jedi desde o início.

O Que Esta Otimo

  • Sistema de combate tático sólido e tenso, que respeita a fórmula XCOM sem só copiar ela sem pensar.
  • Customização de personagens profunda de verdade, com espécies, personalidades e classes duplas que dão liberdade real de montar seu jeito de jogar.
  • Narrativa que foge do óbvio dentro de Star Wars, focando em personagens fora do centro da guerra e ainda assim conseguindo emocionar.

O Que Podia Ser Melhor

  • Quem não curte o gênero de tática por turnos provavelmente vai achar o ritmo das missões arrastado, já que cada batalha exige planejamento e paciência.
  • A campanha gira em torno de 30 horas, o que é ótimo pro gênero, mas quem espera um mundo aberto gigante tipo outros jogos de Star Wars vai se decepcionar.

Vale o Preco?

Pelos 49,99 dólares no PC, considerando as cerca de 30 horas de campanha bem cuidada, com sistema de customização que sozinho já rende muitas horas de rejogabilidade, o preço faz sentido. É um dos casos raros em que o jogo de Star Wars entrega qualidade condizente com o valor cobrado, sem parecer só mais um produto de licença jogado de qualquer jeito no mercado.

Se você já é fã do gênero tático e gosta de Star Wars, esse é o tipo de jogo que dá pra comprar full price sem culpa. Agora, se seu interesse é mais tímido nos dois assuntos, talvez valha esperar alguma promoção pra sentir o gênero sem arriscar o bolso inteiro de primeira.

Veredicto Final

Star Wars Zero Company entrega exatamente o que promete e ainda surpreende em pontos que ninguém esperava, como a força emocional dos personagens customizados e o cuidado com a narrativa fora dos holofotes da Guerra Clônica. Pra quem curte tática por turnos, é compra na certa. Pra quem curte Star Wars mas nunca chegou perto do gênero, ainda assim vale muito a pena dar uma chance, porque esse é daqueles jogos que conseguem converter gente nova pro estilo. COMPRA sem medo.

🎮

Nota EpicPixel

Hype Score
4.5/5

Veredicto: COMPRA — se você curte tática por turnos e Star Wars, é praticamente obrigatório essa semana