EP114 — Review: The Adventures of Elliot: The Millennium Tales — O Zelda HD-2D que a gente merecia

Peguei The Adventures of Elliot: The Millennium Tales porque é dos mesmos criadores de Octopath Traveler e Bravely Default, seguindo o estilo HD-2D. Esperava mais do mesmo, mas que surpresa descobrir que a Square Enix finalmente entregou o Zelda que todo mundo queria que eles fizessem. Foi paixão à primeira vista.

O Que É o Jogo

The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é um action RPG dos criadores de Octopath Traveler e Bravely Default que combina visuais HD-2D deslumbrantes com gameplay de aventura e ação. O jogo custa US$ 59.99 na versão padrão e sai dia 18 de junho para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2.

Desenvolvido pela Team Asano da Square Enix em parceria com a Claytechworks, o jogo marca uma mudança radical do estilo turn-based tradicional da equipe para um sistema de combate em tempo real mais próximo da série Mana e dos Zelda clássicos.

A História (sem spoilers grandes)

No continente de Philabieldia, dominado por tribos bestiais, o Reino de Huther é o último bastião da humanidade, protegido por uma barreira mágica. Após a descoberta de ruínas desconhecidas, o aventureiro Elliot e sua fada Faie enfrentam os perigos do mundo exterior numa jornada que abrange não só o continente, mas sua história milenar.

A Princesa Heuria, cuja magia mantém a barreira de proteção do reino, ajuda Elliot em sua aventura pelas ruínas. Após descobrir um artefato misterioso chamado Portal do Tempo, que conecta passado e presente, a jornada de Elliot transcende espaço e tempo. A premissa é simples, mas funciona muito bem para justificar as diferentes épocas que você visita.

Gameplay — Como É Jogar de Verdade

Elliot começa com ataque básico de espada, bombas para explodir coisas e causar muito dano, e arco para atacar à distância. Se explorar, também encontra itens como a Corrente da Foice, que ataca a maiores distâncias, mas é mais lenta que a espada. Elliot também tem um escudo que pode bloquear ataques limitados ou aparar certos ataques com o timing certo.

A fada Faie é controlada com o analógico direito e dá a Elliot um dash rápido e a habilidade de se teletransportar aonde ela consegue chegar. Essas habilidades são úteis tanto para exploração quanto para combate, sendo o teletransporte especialmente bom para sair do caminho dos inimigos. O loop de jogo mistura exploração livre com dungeons estruturadas, bem no estilo Zelda mesmo.

Não há foco em grinding, subir level ou encontrar dezenas de armas e equipamentos que te deixam mais e mais forte. Isso não me sobrecarrega como muitos RPGs. Você também pode encontrar equivalentes de heart pieces através da exploração para aumentar seus pontos de vida. É refrescante ter um jogo que não te bombardeia com loot e sistemas complexos.

Momentos Que Ficaram na Memória

A primeira vez que usei o Portal do Tempo foi mágica. Ver como a mesma área mudou ao longo dos séculos, com civilizações surgindo e desaparecendo, me deu aquela sensação de Discovery Channel que poucos jogos conseguem. O level design é inteligente o suficiente para usar essa mecânica de forma criativa.

Teve um momento numa dungeon em que precisei usar a Faie para resolver um quebra-cabeça que parecia impossível. Ela pode se mover independentemente e ativar switches à distância, criando puzzles que realmente fazem você pensar em duas dimensões. Foi genial e me lembrou por que gosto tanto de jogos que te fazem se sentir inteligente.

O boss fight de uma das primeiras dungeons me pegou completamente desprevenido. Precisei usar praticamente todos os itens do meu arsenal de forma coordenada com as habilidades da Faie. Nada de apertar botão até morrer; foi tático e satisfatório de um jeito que me fez lembrar dos melhores momentos de Link to the Past.

Dicas Para Quem Vai Jogar

  • Explore tudo, sério. Os desenvolvedores esconderam heart pieces e magicite em cada cantinho do mapa
  • Aprenda a usar a Faie como extensão dos seus reflexos, ela salva sua vida nos combates mais difíceis
  • Não ignore as bombas, elas servem tanto para combate quanto para abrir caminhos secretos
  • Experimente diferentes combinações de magicite, algumas criam sinergias que mudam completamente seu estilo de jogo
  • Se ficar perdido, volte para áreas antigas com habilidades novas, sempre tem segredo para descobrir

O Que Está Ótimo

  • Visual HD-2D é simplesmente perfeito, cada screenshot parece arte conceitual
  • Level design inteligente que usa a mecânica de tempo de forma criativa
  • Sistema de combate fluido que mistura ação e estratégia sem complicar demais

O Que Podia Ser Melhor

  • A Princesa Heuria fala demais, mesmo no modo “reticente”. Ela aponta baús e elementos interativos, tirando a magia da descoberta
  • Alguns combates podem ficar repetitivos se você ficar só no sword and board, falta incentivo para variar

Vale o Preço?

Por sessenta dólares você leva um dos action RPGs mais caprichados do ano. O jogo tem aquele polish da Square Enix com a alma dos indies e entrega facilmente 40+ horas de gameplay se você for explorar tudo. Considerando que jogos AAA hoje custam 70 dólares e entregam experiências genéricas, esse aqui vale cada centavo.

É um jogo feito com carinho, que você sente em cada detalhe, desde a trilha sonora até os puzzles inteligentes. Se você tem saudade dos Zelda clássicos ou quer ver HD-2D sendo usado de forma inovadora, não pense duas vezes. É compra garantida no full price mesmo.

Veredicto Final

COMPRA. The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é prova de que a Square Enix ainda sabe fazer magia quando quer. Conseguiram pegar a fórmula do Zelda clássico, misturar com o charme visual do HD-2D e criar algo que parece familiar, mas é completamente original. Se você ama action RPGs, exploração inteligente e jogos que respeitam sua inteligência, esse é obrigatório. Um dos melhores lançamentos do ano, fácil.

🎮

Nota EpicPixel

Hype Score
4.2/5

Veredicto: COMPRA — Um dos melhores RPGs de ação do ano, que mistura nostalgia e inovação de forma brilhante