Confesso que fui jogar Forza Horizon 6 com uma expectativa meio temperada. Depois de anos de galera implorando pelo Japão e a Playground Games fazendo que não estava ouvindo, chegar lá e ver se o resultado fazia jus a todo o hype era o verdadeiro teste. Spoiler: o negócio é realmente muito bom.
O Que É o Jogo
Forza Horizon 6 é um jogo de corrida arcade desenvolvido pela Playground Games e publicado pela Xbox Game Studios. O preço da versão padrão fica em torno de R$ 299 na Steam e na Xbox Store, e está incluso no Game Pass Ultimate e no PC Game Pass desde o dia do lançamento. Está disponível para PC, Xbox Series X|S e PlayStation 5 ainda em 2026, sem data definida.
O jogo é uma corrida de mundo aberto ambientada no Japão, misturando grandes centros urbanos como Tóquio com regiões rurais e estradas montanhosas icônicas. Conta com mais de 550 carros reais licenciados e promete ser a maior aventura de direção em mundo aberto do Forza Horizon até agora.
A História (sem spoilers grandes)
Diferente dos jogos anteriores, Forza Horizon 6 não começa com você no topo da cadeia alimentar. Aqui, o jogador chega ao Japão como um turista, movido pelo sonho de participar do Festival Horizon. Nada de superestrela instantânea: é preciso conquistar espaço, conhecer o país e crescer aos poucos.
Você começa como turista e mostra que tem o que é preciso para participar do festival como piloto iniciante, sobe nas classificações em carros cada vez mais rápidos e ganha novas Pulseiras para se tornar uma Lenda do Horizon. Seu novo status dá acesso à Ilha das Lendas, um espaço exclusivo reservado para os melhores pilotos. A mudança da velha fórmula funciona muito bem, criando uma progressão mais orgânica e menos artificial que a dos jogos anteriores.
Gameplay — Como É Jogar de Verdade
O core do jogo continua sendo aquela fórmula mágica de pegar qualquer carro e sair dirigindo pelo mapa sem compromisso. O Japão é um lugar onde os deslumbrantes contrastes entre o rural e o urbano se encontram, e você vai descobrindo os segredos escondidos no mapa mais denso do Horizon até hoje, cheio de verticalidade, biomas diversos e experiências de direção espetaculares. Você dirige pelos subúrbios e ruas icônicas do centro ou se desafia nas docas e distritos industriais de Tóquio, a maior área urbana já vista em um jogo Forza Horizon.
Os carros são pilotados com mais de 550 veículos reais, incluindo clássicos JDM aclamados pelos fãs, com sons de motor de vanguarda e animação de dirigibilidade atualizada, com até 540 graus de rotação do volante. A física de direção foi refinada e agora responde melhor, especialmente nas curvas sinuosas típicas das montanhas japonesas. O drift virou quase uma arte, e o jogo claramente quer que você abuse disso.
O Collection Journal é uma das melhores adições novas. É um sistema inspirado na tradição japonesa de colecionar selos. Ao explorar o mapa, descobrir pontos turísticos e registrar momentos, você monta um diário visual da sua jornada. É menos checklist e mais memória de viagem, o que combina perfeitamente com a proposta de turista do jogo.
As corridas de campeonato têm um problema bizarro de navegação. Os campeonatos de temporada são sequências de três corridas que aparecem no mapa quando você chega ao local da primeira. Só que, ao terminar uma delas, o jogo não aponta a corrida seguinte do mesmo campeonato. Ele parece sortear aleatoriamente uma das corridas disponíveis no mapa. Isso confunde demais e quebra o fluxo.
Momentos Que Ficaram na Memória
A primeira vez que acelerei pela estrada de montanha durante uma tempestade de neve foi surreal. O jogo não para pra te falar “olha como é lindo”, simplesmente deixa a paisagem fazer o trabalho. O som do motor ecoando entre as montanhas, a neve batendo no para-brisa, os pneus derrapando na curva fechada — é daqueles momentos em que você para o carro só pra admirar.
Descobri que dá pra entrar numa cultura de carro japonesa bizarra quando encontrei um grupo de carros estacionados num posto nas montanhas. Era madrugada no jogo, galera fazendo encontro de JDM, e quando cheguei com meu Skyline tunado, a trilha sonora mudou pra algo mais chill. O jogo tem esses detalhes que fazem você se sentir parte daquele mundo.
O momento mais frustrante foi tentar achar a segunda corrida de um campeonato que eu estava fazendo. Rodei o mapa inteiro, consultei o menu umas dez vezes, até descobrir que o jogo tinha me mandado pra uma corrida completamente diferente. Quando finalmente achei onde era, perdi o interesse. Esse problema de interface é real e atrapalha muito.
Dicas Para Quem Vai Jogar
- Comece explorando as montanhas de madrugada. A atmosfera é incrível e você encontra outros jogadores fazendo touge.
- Invista logo num carro JDM decente. O jogo claramente foi feito pensando na cultura japonesa e esses carros brilham aqui.
- Use o Collection Journal como bússola. Ele te leva pros lugares mais bonitos do mapa e vale a pena cada foto.
- Não se preocupe em terminar tudo. O jogo é feito pra ser saboreado, não devorado. Curta a viagem.
- Se você tem Game Pass, jogue lá. Não tem motivo nenhum pra comprar separado se já tem a assinatura.
O Que Está Ótimo
- Visual absurdo — o Japão ficou lindo demais, cada região tem sua personalidade
- Som dos carros melhorou muito, especialmente os JDM clássicos
- Mapa denso e vertical, com muito mais coisa pra descobrir que os anteriores
O Que Podia Ser Melhor
- A interface de navegação dos campeonatos é confusa e atrapalha o fluxo
- Microtransações pesadas demais pra um jogo de preço cheio
Vale o Preço?
Se você tem Game Pass, nem pense duas vezes. O jogo está lá no dia um e vale muito a pena. Agora, pelos R$ 299 da versão padrão, a conta fica mais apertada. É um jogo excelente, mas não revolucionário o suficiente pra justificar o preço cheio se você já jogou outros Horizon recentes.
A verdade é que o jogo tem nota 91-92 no Metacritic e é considerado um dos melhores da série, então qualidade não falta. Mas se você não tem pressa, vale esperar uma promoção ou pegar no Game Pass. O cenário japonês é lindo, mas não é motivo suficiente pra quebrar o porquinho.
Veredicto Final
COMPRA — mas com ressalvas. Se você tem Game Pass, é compra obrigatória. O jogo é “gorgeously crafted” e tem um equilíbrio impecável entre arcade e simulação, sendo o melhor jogo de corrida no mercado. O problema de interface dos campeonatos não chega a quebrar a experiência, e o Japão realmente ficou espetacular. É Horizon na sua melhor forma, mesmo não sendo revolucionário.
Nota EpicPixel
4.1/5
Veredicto: COMPRA — Um dos melhores racers arcade já feitos, perfeito no Game Pass
