EP44 — Review: Crimson Desert — O RPG que impressiona nos gráficos mas decepciona nos controles

Olha só, depois de tanto barulho nas redes sociais sobre Crimson Desert ser o próximo “GOTY” e críticos sendo atacados por dar nota “baixa”, eu precisava experimentar na minha pele esse RPG da Pearl Abyss. Cinco dias desde o lançamento e já dá pra sentir que a galera tá bem dividida sobre esse jogo.

O Que É o Jogo

Crimson Desert é um RPG de ação em mundo aberto que acompanha um grupo de mercenários em luta no vasto continente de Pywel. O lançamento chegou no dia 19 de março para PlayStation 5, Xbox Series e PC, custando R$ 349 por aqui. A Pearl Abyss, famosa pelo MMO Black Desert Online, apostou todas as fichas neste projeto que levou seis anos pra ser desenvolvido.

O jogo se vende como uma experiência de mundo aberto ambiciosa, misturando elementos de vários RPGs consagrados como Breath of the Wild, The Witcher 3 e Dragon’s Dogma. O problema é que tentar ser tudo ao mesmo tempo nem sempre dá certo.

A História (sem spoilers grandes)

Você joga como Kliff, líder de um grupo fantástico de peacekeepers conhecido como Greymanes, que ajudam com a segurança do país de Pailune. Depois de uma emboscada, a companhia é espalhada e Kliff é morto, só pra ser revivido por seres sobrenaturais e colocado numa missão pra salvar o mundo das forças sombrias.

O grande problema é que o jogo não tem muito de uma história pra contar. A trama principal é simplesmente uma bagunça, flutuando entre difícil de seguir e completamente sem sentido às vezes, mais focada em entregar espetáculo e grandiloquência do que qualquer coisa. Parece aquelas compilações de “melhores momentos” no YouTube, sabe? Tem drama, tem ação, mas falta o contexto que dá peso emocional.

Gameplay — Como É Jogar de Verdade

Crimson Desert é recheado de mecânicas. Essa densidade é parte do que torna o jogo genuinamente interessante, mas também é o que o torna alienante. O jogo quer ser tudo: tem construção de base, gerenciamento de tropas, combate corpo a corpo complexo, pescaria, culinária, quebra-cabeças, montaria de dragões, e por aí vai.

O combate contra grupos grandes é onde o jogo mais brilha, especialmente quando você começa a desbloquear várias técnicas de agarramento e luta livre. Eu atacava um acampamento inimigo, fazia um suplex num guarda desprevenido, pegava um segundo bandido pelo pescoço e o arremessava em uma torre de vigia com força suficiente pra derrubá-la, o arqueiro gritando enquanto despencava num arbusto. Daí eu sacava as espadas e partia pros sobreviventes atordoados, cortando eles como arame. Isso tudo é excelente, sem críticas.

Mas o sistema de controles aparece como uma das maiores reclamações. Muitos jogadores apontam que há ações demais atribuídas a combinações complexas de botões, o que compromete a fluidez da jogabilidade. Relatos também mencionam movimentação travada e falta de precisão, especialmente ao utilizar controle. Pra vocês terem ideia, até pra conversar com um NPC você precisa apertar vários botões em sequência.

Momentos Que Ficaram na Memória

Uma das situações mais marcantes foi quando descobri uma árvore senciente usando um chapéu que eu precisava roubar pra uns seres mágicos. O jogo não explica nada, você simplesmente tropeça nessas descobertas bizarras que te fazem querer explorar mais.

Outro momento genial foi quando encontrei um boss Spirit Knight perdido pelo mundo. Derrotei ele depois de uma luta épica e ganhei uma habilidade nova totalmente louca que mudou completamente meu estilo de jogo. Essas surpresas são ouro puro.

Por outro lado, teve uma hora frustrante em que fiquei 20 minutos tentando descobrir como tocar um sino numa torre pra revelar o mapa da cidade. O jogo simplesmente não te fala isso. Você fica lá, perdido, se perguntando que diabos tá fazendo de errado.

Dicas Para Quem Vai Jogar

  • Use controle ao invés de teclado e mouse, a experiência é muito melhor
  • Prepare-se pra uma curva de aprendizado bem íngreme, o jogo não explica quase nada
  • Toque os sinos das torres pra revelar os mapas das cidades (obrigado, internet!)
  • Não se apresse com a história principal, o melhor do jogo tá na exploração livre
  • Se estiver no PS5 base, diminua as expectativas gráficas ou considere esperar patches

O Que Está Ótimo

  • Visualmente é um espetáculo técnico, um mundo lindo de dar inveja. O mundo inteiro é renderizado como um local único, e você pode literalmente ver cada centímetro dele de qualquer ponto alto. É de tirar o fôlego
  • Há um senso genuíno de descoberta no tecido do mundo que é incrivelmente atraente. São esses momentos de surpresa e admiração que fazem Crimson Desert brilhar
  • O sistema de combate é profundo e complexo, com técnicas de luta livre absurdas que funcionam de verdade

O Que Podia Ser Melhor

  • Os controles são problemáticos, com narrativa fraca, personagens pouco marcantes, puzzles confusos e um sistema de interface que tem sido amplamente criticado
  • Jogadores do PS5 base enfrentam problemas visuais sérios. O jogo fica desfocado, com baixa resolução e pop-ins a cada quadro. Parece mais um jogo de PS3 do que de PS5

Vale o Preço?

O título acumulou quase 5 mil análises negativas na Steam em menos de 12 horas, resultando numa classificação “Mista” com cerca de 66% de aprovação. O número contrasta com as notas da crítica especializada, que ficaram na faixa de 77 no Metacritic e 80 no OpenCritic. Por R$ 349, é um preço salgado pra um jogo com tantos problemas de controle e otimização.

Olha, o jogo vendeu 3 milhões de cópias em cinco dias e teve 2 milhões vendidos no primeiro dia, acrescentando mais 1 milhão nos quatro dias seguintes. Então tem gente comprando e curtindo. Mas esperar uma promoção parece mais sensato, especialmente se você não tem paciência pra lidar com sistemas mal explicados.

Veredicto Final

ESPERA PROMOÇÃO. Crimson Desert é prova de que excesso e maximalismo podem ser impressionantes e maravilhosos, ou podem ser superestimulantes e te deixar desconectado do que tá na sua frente. O jogo tenta equilibrar essa linha, com resultados às vezes estonteantes e às vezes entorpecentes. É um RPG de ação em mundo aberto fantástico, de escala e profundidade enormes, claramente inspirado numa multidão de RPGs da última década. O resultado é tão espetacular quanto exaustivo, e dezenas de horas depois, ainda sinto que mal arranhei a superfície. Talvez seja por isso que o resultado final é um jogo com uma ladainha de problemas, mas ao qual eu continuo voltando mesmo assim — num buffet desse tamanho, sempre tem alguma coisa pro gosto de todo mundo.

🎮

Nota EpicPixel

Hype Score
2.5/5

Veredicto: ESPERA PROMOÇÃO — Um jogo que vale experimentar, mas não no preço atual