EP134 — Review: Palworld 1.0 — O “Pokémon com armas” finalmente cresceu de verdade

Quando Palworld explodiu em janeiro de 2024, todo mundo aqui no EpicPixel ficou de queixo caído. Não pelo jogo em si, mas pela velocidade com que ele virou febre. Aí veio o processo judicial com a Nintendo, vieram as polêmicas, a galera foi embora, voltou, foi embora de novo. Mas a Pocketpair ficou construindo, e agora, em julho de 2026, chegou a versão 1.0, e eu precisava contar como esse troço ficou.

O Que É o Jogo

Palworld é desenvolvido e publicado pela Pocketpair, e mistura sobrevivência com crafting, coleta de criaturas, construção de base e cooperativo. A ideia central é capturar criaturas chamadas Pals, que além de batalhar do seu lado, podem trabalhar, ajudar na construção de bases e até participar de sistemas automatizados de produção. É um mundo aberto enorme onde você monta acampamento, expande sua base, vai a masmorras, enfrenta chefões e coleta centenas de criaturas diferentes.

A versão 1.0 saiu em 10 de julho de 2026 no Steam, PlayStation 5, Xbox e Game Pass, e quem já tinha o jogo recebeu a atualização de graça. O preço de entrada no Steam girava em torno de R$ 115 a R$ 160, dependendo do câmbio do dia. Na versão de Early Access, o jogo já contava com mais de 100 Pals, um vasto mundo aberto, mais de 350 itens e mais de 70 tipos de construção. Agora, com o 1.0, esse número cresceu absurdamente, com mais conteúdo do que em qualquer atualização anterior.

A Historia (sem spoilers grandes)

Quem jogou Palworld no Early Access sabe que a história sempre foi o ponto mais fraco. Você chegava nas Ilhas Palpagos, montava sua base, capturava Pals e… pronto. Não havia muita narrativa te puxando pra frente. A sensação era de um sandbox gostoso, mas vazio de propósito mais profundo. Isso mudou com o 1.0.

O 1.0 adiciona missões conduzidas por história de forma significativa pela primeira vez. A World Tree, que aparecia nos trailers como o foco do endgame, agora abre de vez, com inimigos de nível alto, novos recursos e conteúdo de lore apresentado como fragmentos de uma narrativa maior sobre a verdade do mundo. Não é um roteiro cinematográfico estilo RPG japonês, mas é muito mais do que havia antes. A Pocketpair claramente usou esse tempo todo para montar um pano de fundo que justifique as horas que você vai passar explorando. Há uma ameaça maior no horizonte, e o trailer cinemático do Summer Game Fest 2026 deixou isso bem claro.

Gameplay — Como É Jogar de Verdade

O loop central de Palworld sempre foi simples e viciante: você acorda, coleta recursos, constrói algo na base, captura um Pal novo e vai atrás do próximo objetivo. Você coleta madeira, captura um Pal, constrói uma base rudimentar e já está perseguindo a próxima criatura útil. O loop é simples e funciona porque as recompensas chegam com frequência. Com o 1.0, esse loop ganhou destinos novos de verdade, o que muda tudo.

A maior novidade do 1.0 é o Wing Pack, o equipamento de voo aéreo, junto com a zona de endgame World Tree, as Sky Islands, o modo PvP e o sistema de Recombinação Genética no criado de Pals. O Wing Pack, especificamente, resolveu uma das maiores reclamações do jogo. Durante o Early Access, quem queria planejar ou voar precisava dedicar um dos cinco slots do grupo a uma criatura de travessia como o Galeclaw ou o Jetragon, o que representava um custo real, abrir mão de 20% da capacidade de combate para se mover bem pelo mapa. O Wing Pack elimina esse dilema, pois é um equipamento de personagem, não um Pal companion, ocupando um slot de item e não do grupo.

As Sky Islands são ilhas flutuantes acima de Palpagos que agora são zonas totalmente exploráveis, com um enorme Pal serpente esperando nas nuvens acima delas. O trailer cinemático do Summer Game Fest 2026 confirmou que não são mera decoração: são biomas com novos Pals, vilas e cabanas suspensas no céu. A primeira vez que você chega lá de Wing Pack, voando livre, é uma daquelas sensações que o jogo não entregava no Early Access. Agora entrega.

Os Santuários de Vida Selvagem também passaram por uma reformulação completa. Cada santuário agora tem seu próprio ecossistema distinto em vez de parecer versões com nova skin do mesmo local, com barreiras estranhas, drones, Pals raros, materiais únicos e chefões poderosos, sendo reposicionados como destinos de alto risco de verdade. O modo cooperativo, por sua vez, continua sendo o ponto alto da experiência. No co-op, um jogador explora, outro faz crafting e outro gerencia a produção, e isso transforma o que seria uma grinding session solitária em algo genuinamente divertido com amigos.

Momentos Que Ficaram na Memoria

Chegar pela primeira vez na World Tree usando o Wing Pack foi um momento de “uau” genuíno. O bioma da World Tree tem uma mudança climática vertical única: na raiz, você sente calor extremo dos ventos geotérmicos. Conforme você sobe pelos galhos usando um Pal voador, a temperatura despenca para um frio congelante. Você precisa carregar tanto a armadura resistente ao calor quanto a resistente ao frio no inventário, trocando dinamicamente conforme muda de altitude. É o tipo de detalhe de design que te faz parar, perceber e respeitar o trabalho que foi colocado ali.

O momento em que você vê pela primeira vez um Pal se transformar em arma no meio do combate é puro caos delicioso. Entre os destaques confirmados nos teasers estão um tipo dragão de fogo, um companheiro panda, uma enguia em formato de espada que você literalmente balança contra os inimigos, e uma criatura guardiã da árvore que provavelmente vai ter status de chefão lendário. Você não está preparado para o momento em que pega uma dessas criaturas pela primeira vez e percebe que ela é simultaneamente um Pal e uma arma. Palworld sempre foi absurdo, e aqui ele abraça isso de cabeça.

A morte mais constrangedora foi tentar levar meu time do Early Access direto para a World Tree sem começar save novo. Milhares de jogadores estão queimando suas esferas lendárias, vagando pelo novo bioma e sendo nocauteados porque não entendem as mecânicas de spawn, os tipos elementais e as localizações exatas dos novos Pals do 1.0. Quem tentou entrar na World Tree com o time do Early Access aprendeu que os novos Pals desse bioma escalam de forma agressiva. Levei umas quatro mortes seguidas antes de aceitar que precisava de equipamento melhor. Orgulho ferido.

Dicas Para Quem Vai Jogar

  • O update 1.0 não apaga seu save existente, então você não perde nada. Mas a Pocketpair recomenda começar um save novo para aproveitar a experiência completa do 1.0. Se você tem personagem velho, guarda ele como backup e abre um personagem novo para curtir a progressão do zero.
  • Para desbloquear o Wing Pack, você precisa chegar ao nível 50 ou mais. O item fica na coluna de Tecnologia Antiga na árvore de habilidades, então Pontos de Tecnologia normais não bastam. Você precisa de Pontos de Tecnologia Antiga. Foque em matar Alpha Bosses e Chefões das Torres para acumular esses pontos.
  • Ao explorar a World Tree, leve tanto a armadura resistente ao calor quanto a resistente ao frio no inventário, pois a temperatura muda drasticamente com a altitude. Não adianta ir equipado só para um clima.
  • Antes de entrar no novo conteúdo, conclua os itens de endgame que você estava adiando, como o Alpha Astegon, e estoque munição, esferas de captura e materiais de crafting. O conteúdo novo é exigente e você vai consumir recursos muito mais rápido do que estava acostumado.
  • Se você for jogar solo, pode querer esperar mais feedback de outros jogadores. O co-op é mais forte, especialmente para o conteúdo novo. Chama um amigo, divide as tarefas de base e exploração, e a experiência melhora demais.

O Que Esta Otimo

  • Cinco atualizações de conteúdo, um crossover importante, uma ação judicial de patente que forçou mudanças reais no gameplay, um port para PS5, crossplay completo e agora um lançamento 1.0 que dobra o espaço explorável e abre a zona que os jogadores estavam olhando desde o dia um. A trajetória da Pocketpair é impressionante para um estúdio do tamanho deles.
  • O update 1.0 parece a versão para a qual o jogo estava sendo construído desde o Early Access. Traz novo conteúdo, reformulações significativas de sistemas e um fio narrativo mais claro. Com o Wing Pack, a World Tree, os chefões remodelados e os novos Pals que mudam a forma de combater, a atualização toca em quase todas as partes da experiência.
  • As batalhas de chefões das Torres foram completamente reformuladas para serem mais dinâmicas e envolventes. Os Santuários foram atualizados para ter seus próprios ecossistemas únicos, cada um com paisagens únicas, Pals raros, materiais únicos e chefões poderosos. O late game finalmente tem dentes.

O Que Podia Ser Melhor

  • A limitação principal continua sendo a repetição. Palworld é ótimo em te dar mais um objetivo pequeno para completar. Mas é menos forte em transformar essas tarefas em uma história memorável. A narrativa do 1.0 é melhor do que era, mas ainda está longe de te prender do jeito que um RPG narrativo prende. Quem joga por história vai sentir falta.
  • Palworld usa Unreal Engine e pode se tornar bastante exigente quando as bases crescem. O SteamDB lista o jogo como verificado para Steam Deck, com texto de interface legível e configurações padrão adequadas. Mas cautela ainda é necessária: bases grandes, jogo online e cadeias de produção ativas podem afetar o desempenho. Em máquinas intermediárias, especialmente com a nova área da World Tree, esperem alguns drops de fps até as otimizações chegarem.

Vale o Preco?

Sim. Ponto final. Palworld já teve sua explosão, seu backlash, seus consertos e sua galera fiel de sobrevivência. Isso importa para quem vai comprar porque o rótulo 1.0 não é uma primeira revelação, é um sinal de confiança. Jogadores que pularam o caos do lançamento agora têm um momento mais limpo para julgar o loop de coleta de criaturas, construção de base e co-op sem pagar apenas pelo hype. O jogo hoje é muito mais completo do que foi no dia do lançamento do Early Access.

O que o 1.0 representa é a conclusão de um ciclo de Early Access que, estatisticamente, a maioria dos jogos nessa posição nunca termina. O jogo que atingiu pico de 2.101.867 jogadores simultâneos no Steam em janeiro de 2024, o segundo maior pico na história da plataforma na época, depois passou por uma ação judicial de patente importante, entregou múltiplas atualizações substanciais e adicionou crossplay entre todas as plataformas. Pagar por um produto assim hoje, completo e estável, é um custo-benefício honesto. Quem já tinha do Early Access recebeu de graça, e quem ainda não tem, compra.

Veredicto Final

COMPRA. Palworld 1.0 é a versão que a Pocketpair prometeu lá atrás em 2024, e eles entregaram. Se você achava que Palworld ia desaparecer quietinho depois do caos viral de 2024, você estava errado. A Pocketpair detonou uma bomba no Summer Game Fest 2026: a versão 1.0 lança em 10 de julho, e eles chamam de o maior update que o jogo já teve. A World Tree finalmente abre. Novos Pals chegam. O rótulo de Early Access some. E de alguma forma, dois anos e meio depois, um pequeno estúdio japonês que foi processado pela Nintendo ainda está aqui, ainda construindo. Isso, por si só, já é uma história de respeito. O jogo por trás dessa história? Melhor do que nunca.

🎮

Nota EpicPixel

Hype Score
4.0/5

Veredicto: COMPRA — Depois de dois anos e meio de Early Access, a versão 1.0 entrega o jogo que sempre foi prometido, com conteúdo novo de verdade e uma estrutura muito mais sólida.