EP240 — Review: Gears of War: E-Day — o retorno brutal que acerta no gunplay e tropeça na alma

Confesso que peguei Gears of War: E-Day com um pé atrás. Depois de tanta gente falando que a franquia tinha perdido a mágica, fiquei curioso pra ver se a The Coalition conseguia recuperar aquele peso de tiro e aquela sensação de “estou numa guerra de verdade” que fez a gente amar Marcus Fenix lá em 2006. Esperava um remake nostálgico com cara nova. O que encontrei foi um jogo bem mais complicado de resumir em uma frase só.

O Que E o Jogo

Gears of War: E-Day é um FPS/TPS de tiro por cobertura, desenvolvido pela The Coalition e lançado em 6 de outubro de 2026 para Xbox Series X|S e PC, com disponibilidade também via Xbox Cloud Gaming. É uma prequela direta da trilogia original, mostrando o Dia E, o momento em que a humanidade descobre que os Locust estão subindo à superfície e tudo vira um pesadelo em poucas horas.

A edição padrão custa R$ 299 tanto na Steam quanto na Xbox Store, e tem uma Premium Edition por R$ 449 com conteúdo extra. A boa notícia pra quem é assinante é que o jogo chegou no primeiro dia pelo Xbox Game Pass Ultimate e PC Game Pass, o que praticamente zera o investimento pra uma galera enorme de jogadores.

A Historia (sem spoilers grandes)

A trama se passa inteira num período de apenas três dias, cobrindo a queda da cidade de Kalona. É um recorte bem específico, dividido em cinco atos com vários capítulos cada, e a ideia no papel é ótima: mostrar o caos do primeiro contato com os Locust, o pânico de uma cidade que não tinha ideia do que estava vindo de baixo da terra.

O problema é que essa narrativa fica presa num looping emocional de “tá tudo ruim, e vai piorar” do início ao fim, sem que os personagens realmente evoluam ao longo do caminho. Marcus Fenix tá lá, mais jovem, mais verde, mas a relação dele com Dom, que devia ser o coração emocional da história toda, fica bem subdesenvolvida. Dá pra sentir que o jogo queria contar algo mais profundo sobre amizade e sobrevivência, mas não encontrou tempo (ou vontade) de desenvolver isso com calma.

Gameplay — Como E Jogar de Verdade

Aqui é onde o jogo realmente brilha. O combate por cobertura, marca registrada da série desde sempre, voltou com uma precisão e um peso que fazem a gente lembrar por que Gears virou referência de tiro tático em terceira pessoa. Cada arma tem uma sensação própria, a Lancer com a serra ainda é satisfação pura, e o ritmo de “corre pra cobertura, troca tiro, avança” ficou mais fluido do que em qualquer jogo recente da franquia.

A campanha é predominantemente linear, mas Kalona tem áreas abertas que oferecem missões paralelas. Dá pra apoiar outros esquadrões, ajudar civis presos no meio do caos, e essas missões rendem recompensas boas, geralmente modificações de arma que fazem diferença real no resto da campanha. É um sistema simples, mas funciona bem pra quebrar a linearidade sem virar um mundo aberto cheio de enchimento.

O Horde Siege, o modo cooperativo de ondas, também recebeu elogio geral e é provavelmente o conteúdo que vai manter gente jogando depois de terminar a campanha. É ali que o jogo mostra a cara mais “multiplayer competitivo e cooperativo” da franquia, com customização de loadout e progressão que dá motivo pra voltar.

O que cansa um pouco é justamente a repetição do ciclo “onda de Locust, cobertura, avança, repete” sem muita variação de ritmo durante boa parte da campanha principal. Tem trechos ótimos, com setpieces bem construídos, mas também tem partes que parecem puro enchimento pra estender a duração.

Momentos Que Ficaram na Memoria

Tem uma sequência logo no começo, quando a cidade de Kalona ainda não sabe o tamanho da ameaça, que é genuinamente tensa. A câmera mostra ruas normais, gente tentando seguir a vida, e de repente o chão literalmente se abre. É um dos melhores momentos de “primeiro contato” que já vi num jogo de tiro nos últimos anos.

Outro momento marcante é numa das missões paralelas em área aberta, onde decidi ajudar um esquadrão cercado em vez de seguir direto pro objetivo principal. O combate que se formou ali, com Locust vindo de múltiplas direções e eu tendo que gerenciar cobertura em movimento, foi daqueles momentos emergentes que fazem o jogo valer a pena.

E teve o momento frustrante, claro: um crash feio bem no meio de uma cutscene importante, que me fez perder uns bons minutos de progresso. Não foi só comigo, é algo que a comunidade vem reportando bastante, principalmente em áreas grandes, cutscenes e no modo Horde.

Dicas Para Quem Vai Jogar

  • Não ignore as missões paralelas nas áreas abertas de Kalona, elas rendem modificações de arma que facilitam bastante o resto da campanha.
  • Se você joga no PC, verifique a integridade dos arquivos na Steam (Biblioteca → Propriedades → Arquivos Instalados) antes de começar, isso evita boa parte dos crashes relatados na comunidade.
  • Baixe os drivers de GPU mais recentes e desative overlays (Discord, GeForce Experience) antes de jogar, já que vários crashes estão ligados a esse combo.
  • Se a performance estiver instável, baixe iluminação e sombras pra Low e mantenha a qualidade geral em Medium, isso reduz bastante os travamentos em áreas grandes.
  • Jogue o Horde Siege em squad fixo se puder, a comunicação faz muita diferença na hora de organizar cobertura contra as ondas maiores.

O Que Esta Otimo

  • O gunplay é o melhor da franquia desde que a The Coalition assumiu, com peso e precisão que fazem cada troca de tiro valer a pena.
  • Visual e direção de arte caprichados, a queda de Kalona é construída com bastante impacto visual nos momentos certos.
  • O Horde Siege entrega um cooperativo sólido, com customização e progressão que dão motivo pra voltar depois da campanha.

O Que Podia Ser Melhor

  • A história fica travada num tom de desespero constante, sem desenvolver de verdade a relação entre Marcus e Dom, que devia ser o centro emocional da trama.
  • Problemas de estabilidade no lançamento, com crashes recorrentes em cutscenes, áreas grandes e no Horde, que ainda estão sendo corrigidos.

Vale o Preco?

Por R$ 299 na Steam ou Xbox Store, o cálculo é bem diferente dependendo de como você pretende jogar. Se você já assina Xbox Game Pass Ultimate ou PC Game Pass, não existe dúvida: o jogo está disponível no primeiro dia pra todo mundo da assinatura, então é só jogar sem gastar nada extra.

Agora, comprando separado, o preço pesa mais quando você coloca na balança os bugs de lançamento e uma história que não convence. O gunplay sozinho sustenta boa parte da experiência, e o Horde Siege dá fôlego extra, mas eu esperaria uma rodada de patches de estabilidade ou uma promoção antes de desembolsar o valor cheio, principalmente no PC.

Veredicto Final

Gears of War: E-Day acerta exatamente onde a franquia sempre foi forte: o combate. É visceral, pesado e satisfatório, provavelmente o melhor gunplay da série desde que a The Coalition assumiu o leme. Mas a história fraca e os problemas de estabilidade no lançamento deixam a experiência longe de redonda. Se você tem Game Pass, é COMPRA automática, sem pensar duas vezes. Se vai comprar separado, meu conselho é ESPERA PROMOÇÃO, deixa a The Coalition resolver os crashes primeiro e aproveita quando o preço cair ou os patches estabilizarem o jogo.

🎮

Nota EpicPixel

Hype Score
3.8/5

⭐⭐⭐⭐⭐

Veredicto: ESPERA PROMOÇÃO — o combate é dos melhores da série, mas história fraca e bugs de lançamento tiram o brilho de pagar cheio.