Confesso que peguei Gears of War: E-Day com um pé atrás. Depois de Gears 4 e Gears 5, que foram ok mas nunca me deram aquele frio na espinha da trilogia original, eu já tinha quase desistido de esperar algo grande da franquia. Só que a galera não parava de falar nesse jogo, e quando vi que era uma prequela mostrando o Dia da Emergência, aquele caos do início de tudo, resolvi encarar com calma e sem expectativa inflada. Spoiler da introdução: valeu muito a pena jogar, só que não do jeito que eu imaginava.
O Que E o Jogo
Gears of War: E-Day é um shooter em terceira pessoa desenvolvido pela The Coalition, estúdio que já tomou conta da franquia desde Gears 4, e roda em Unreal Engine 5. Ele está disponível para Xbox Series X|S e PC, e a boa notícia pra quem tem Game Pass é que o jogo entrou direto no catálogo no dia do lançamento, sem enrolação.
A edição padrão sai por 69,99 dólares (o equivalente em preço cheio de AAA por aqui), e tem também uma edição premium mais cara pra quem quer conteúdo extra e acesso antecipado. Se você não tem Game Pass e não quer gastar o preço cheio, dá pra esperar uma promoção sem culpa, porque o jogo não corre o risco de sair de moda tão rápido.
A Historia (sem spoilers grandes)
A história se passa catorze anos antes do primeiro Gears of War, no exato momento em que a Horda Locust emerge do subsolo de Sera e vira tudo de cabeça pra baixo. A gente acompanha versões bem mais jovens de Marcus Fenix e Dom Santiago, ainda soldados da COG sem aquele peso de guerra que eles carregam nos jogos seguintes, lutando pra sobreviver na cidade de Kalona junto com outros dois personagens novos, Mags Carter e Lucas Reyes.
O que funciona muito bem aqui é justamente isso: ver o começo do fim. A gente sabe o que vai acontecer com o mundo de Sera nos próximos jogos, então tem uma tensão meio inevitável em cada cena, tipo assistir a um desastre em câmera lenta sabendo que não tem como evitar. Marcus e Dom ainda não são os veteranos cansados que a gente conhece, e dá pra sentir o peso dessa transformação acontecendo na nossa frente, sem precisar de uma cutscene explicando tudo.
Gameplay — Como E Jogar de Verdade
A sensação geral, e isso bate com o que boa parte da crítica andou falando, é que esse é o Gears mais “Gears” desde o terceiro jogo, lá de 2011. O sistema de cobertura voltou a ser o centro das atenções, e dá pra sentir que a The Coalition se esforçou pra recuperar aquela pegada mais bruta e visceral da trilogia original em vez de só empilhar modernizações estéticas em cima da fórmula.
A movimentação é o ponto que mais chama atenção pra quem já jogou os jogos anteriores. Tudo ficou mais fluido, trocar de cobertura, deslizar, virar pra trocar tiro ou recarregar na pressão do momento parece mais natural, menos robótico. Isso muda o ritmo dos confrontos: em vez daquele jogo de xadrez bem posicionado dos jogos mais recentes, aqui você se sente mais obrigado a se mover, reagir, se expor um pouco pra conseguir um ângulo melhor.
Só que tem um “mas” grande no meio do caminho, e foi algo que a própria comunidade levantou bastante nas redes depois do lançamento: existem trechos da campanha que parecem rodar praticamente sozinhos, com sequências mais roteirizadas em que a interação do jogador fica reduzida a quase nada. Não é o tempo todo, mas quando acontece, quebra bastante aquele clima de “estou no controle do caos”, que é justamente a maior virtude da franquia. Senti isso em pelo menos três ou quatro momentos específicos, e não foi só impressão minha, porque virou meme rápido nas redes.
O multiplayer chegou dividido em duas frentes: o modo competitivo 4 contra 4, chamado de Versus Ranked, e um modo cooperativo novo de doze jogadores batizado de Horde Siege. O competitivo mantém a essência tática que sempre funcionou bem na série, mas o Horde Siege é onde a coisa fica caótica de um jeito bom, com hordas enormes de inimigos e muita explosão na tela ao mesmo tempo. O problema é que é justamente nesse modo que os problemas técnicos aparecem com mais força, como vou detalhar já já.
Momentos Que Ficaram na Memoria
O momento que mais me pegou foi bem no começo do Dia da Emergência, quando a câmera ainda está em um clima quase cotidiano, de cidade normal funcionando, e de repente o chão literalmente se abre. Não teve aviso de cutscene nem transição suave, foi aquele tipo de susto que faz você largar o controle por um segundo antes de voltar a reagir.
Outro momento marcante foi numa partida de Horde Siege com amigos, em que a gente estava segurando uma posição com a horda vindo de três lados ao mesmo tempo. Foi daquele caos coletivo, todo mundo gritando no chat de voz pra reposicionar, que lembra exatamente por que esse tipo de modo cooperativo funciona tão bem na franquia.
E por outro lado, teve um momento frustrante que resume bem o lado ruim da experiência: numa sequência de infiltração mais lenta, o jogo simplesmente assumiu o controle de boa parte da ação, me deixando só apertar um botão pra “continuar”. Depois dessa cena, fui direto nas redes ver se era só eu, e não era, muita gente reclamou exatamente da mesma sequência.
Dicas Para Quem Vai Jogar
- Se você tem Xbox Series X e PC de potência média, jogue no console: a performance está muito mais estável lá do que na versão PC no lançamento.
- No PC, abaixe Lumen e as configurações de iluminação global antes de qualquer outra coisa, foi o que mais ajudou a reduzir engasgos nos testes relatados pela comunidade.
- Se tiver Game Pass, comece por ali em vez de comprar: dá pra avaliar se o seu setup aguenta o jogo antes de gastar dinheiro.
- Para o Horde Siege, jogue com um grupo fixo e combinem posicionamento antes da partida, o modo pune muito gente dispersa.
- Não force a recarga ativa no automático: o timing manual ainda rende mais dano e é parte essencial do combate corpo a corpo da série.
O Que Esta Otimo
- A campanha resgata a identidade visceral e bruta que fez a trilogia original marcar época, algo que os jogos mais recentes tinham perdido um pouco.
- A movimentação e o sistema de cobertura ficaram mais fluidos e orgânicos, mudando o ritmo dos combates pra melhor.
- O Horde Siege é um ótimo modo cooperativo, caótico na medida certa, perfeito pra jogar com amigos num fim de semana.
O Que Podia Ser Melhor
- A versão de PC tem problemas serios de desempenho, com relatos de engasgos até em placas topo de linha, atribuídos à compilação de shaders e ao peso de recursos do Unreal Engine 5.
- Alguns trechos da campanha deixam a interação do jogador em segundo plano, rodando de forma quase automática, o que vai contra o que a franquia sempre fez de melhor.
Vale o Preco?
Se você tem Xbox Game Pass, a resposta é óbvia: joga sem pensar duas vezes, porque o jogo já está incluso e a campanha por si só vale o tempo investido. O custo-benefício aqui não tem discussão.
Agora, se a ideia é comprar no preço cheio pelo PC, eu puxaria o freio de mão por algumas semanas. Com relatos de gente com hardware caríssimo tendo dificuldade pra manter uma taxa de quadros estável, vale esperar os primeiros patches de otimização baixarem antes de soltar o dinheiro. No Xbox Series X a história é bem diferente, e aí sim o preço cheio se justifica sem sustos.
Veredicto Final
Gears of War: E-Day é o retorno de forma que os fãs da franquia estavam pedindo desde 2011, com uma campanha tensa, violenta e cheia de personalidade, além de um modo cooperativo novo que acerta na dose certa de caos. Mas é um retorno manchado por decisões de design questionáveis em alguns trechos mais passivos e, principalmente, por um lançamento de PC capenga que a The Coalition precisa resolver rápido. Minha recomendação é COMPRA se você joga no Xbox ou tem Game Pass, e ESPERA PROMOÇÃO ou pelo menos uns patches se o seu plano era comprar na Steam.
Nota EpicPixel
4.2/5
Veredicto: COMPRA — a campanha é o melhor Gears desde a trilogia original, mas no PC espera uns patches antes de encarar
