EP65 — Review: Pragmata — A nova IP da Capcom que ninguém esperava ser tão boa

Cara, vou confessar uma coisa: quando anunciaram Pragmata lá em 2020, eu não estava nem um pouco animado. Mais um jogo de ficção científica da Capcom? Depois de tanta demora e adiamento, achei que seria mais uma promessa quebrada. Que bom que eu estava completamente errado.

O Que É o Jogo

Pragmata é um jogo de ação e aventura de 2026 desenvolvido e publicado pela Capcom. Foi lançado em 17 de abril de 2026 para PlayStation 5, Windows, Xbox Series X/S e Nintendo Switch 2. O jogo custa R$ 259 na Steam e R$ 300 na PSN, um preço que inicialmente me assustou pela duração, mas que acabou se justificando.

A Capcom foi corajosa demais criando uma IP completamente nova depois de anos focando em suas franquias estabelecidas. E funcionou: no Metacritic, Pragmata tem nota 85/100 baseada em 81 reviews de críticos para PS5, se posicionando entre os melhores jogos do ano.

A História (sem spoilers grandes)

Em uma instalação lunar de pesquisa, a humanidade descobre um novo minério que pode criar quase qualquer coisa usando impressoras 3D. Quando a instalação fica em silêncio, Hugh e sua equipe são enviados para investigar, mas o desastre acontece. Hugh é salvo por Diana, uma androide solitária que vaga pelo complexo. Os dois devem se unir para encontrar uma saída da lua.

A trama é simples na superfície, mas o que realmente funciona é a relação entre Hugh e Diana. Pragmata segue quase exclusivamente apenas dois personagens por toda a duração, criando muitas oportunidades para pequenos momentos de conexão. Diana é o coração da história, charmosa e fofa, mas também ingênua de um jeito adorável. É desses jogos de “pai triste” que funcionam porque os personagens são genuinamente carismáticos.

Gameplay — Como É Jogar de Verdade

Aqui está o pulo do gato. Você controla Hugh enquanto ele se move, atira e pula, e a Diana, que hackeia ao mesmo tempo. É uma mistura fresca e nova de gameplay, com um sistema verdadeiramente único que vai forçar seu cérebro ao limite. Parece complicado? É mesmo, mas é genial.

Hugh usa suas armas como um shooter tradicional em terceira pessoa. Mas, quando você mira nos robôs inimigos, também os vê pelos olhos de Diana, visualizados como uma matriz de hacking flutuando ao lado do inimigo. Essas grades permitem que você navegue de um ponto inicial até um nó final com os botões de face, tudo isso enquanto ainda pode se mover e atirar. Os robôs são quase impossíveis de matar com armas básicas, mas, uma vez que você atinge o nó verde no quebra-cabeça de hack, os robôs hostis se abrem como lagostas.

Diferente do que vemos em um Resident Evil, não há foco único nas ações do protagonista e dos adversários: existem dois sistemas para ficar atento. Seria equivalente a tocar piano, com cada “mão” em um ritmo e melodia. Hugh precisa atirar e esquivar dos inimigos convencionalmente, mas também precisamos nos atentar a uma tela diferente para a Diana hackear os sistemas dos robôs hostis.

Momentos Que Ficaram na Memória

Numa luta, hackeei um robô grande e comecei a causar dano, mas ele se recuperou e ficou invisível, então o perdi no escuro. Sem saber o que fazer, comecei a atirar cegamente com minha arma de granadas. A explosão ampla pegou o robô e revelou sua localização para eu hackear novamente. É o tipo de momento emergente divertido que é possível quando sistemas flexíveis interagem.

Tem uma cena em que Diana descobre hologramas de artefatos da Terra e Hugh explica como as crianças crescem lá, relacionando com suas próprias experiências de infância. É um momento pequeno, mas que mostra como o jogo investe na relação dos dois sem forçar barra.

As primeiras horas são meio frustrantes porque você ainda não dominou o sistema de combate duplo. Morri umas cinco vezes tentando hackear e atirar ao mesmo tempo, mas, quando a ficha cai, vira vício. É como aprender a dirigir: difícil no começo, natural depois.

Dicas Para Quem Vai Jogar

  • Cada inimigo tem pontos fracos específicos que piscam em vermelho quando atingidos. Acertar esses pontos não só causa mais dano, como aumenta o medidor de atordoamento. Quando ele fica cheio, o inimigo cai e você pode executar um Acerto Crítico
  • Explore tudo: o jogo esconde muitos itens úteis, como novos mods, moedas e upgrades. Você os encontra em cantos discretos, no final de desafios de plataforma ou atrás de portas trancadas
  • Não fique obcecado com itens inacessíveis no começo. Alguns ficam acessíveis apenas mais tarde, então vale voltar às fases iniciais depois que desbloquear o sistema de localização de itens da Diana
  • Seu arsenal tem quatro categorias: Primária, Ataque, Tática e Defesa. As armas Táticas mostram valor transformador no combate logo no início
  • Jogue a demo disponível antes de comprar. Ela te dá uma boa noção se o sistema de combate dual vai funcionar pra você ou não

O Que Está Ótimo

  • Sonoplastia espetacular: trilha sonora muito boa e efeitos sonoros excelentes. Além de ter legendas em português, a Capcom trouxe dublagem completa em português brasileiro
  • Visuais deslumbrantes e uma história profundamente pessoal entre Hugh e Diana. A relação deles é natural, sincera e genuinamente engraçada nos momentos certos
  • O sistema de combate com hacking é realmente único. A Capcom arriscou misturando múltiplos gêneros para criar algo que parece fresco. O combate de tiro em terceira pessoa com hacking permanece envolvente durante todo o jogo

O Que Podia Ser Melhor

  • O jogo parece que poderia ser um pouco maior. Traz muitas armas, recursos e coletáveis, mas há pouco espaço para usar tudo. Existe Novo Jogo+ com uma nova dificuldade, mas ainda é a mesma campanha
  • Sequências de puzzle aparecem apenas uma ou duas vezes. Dentro do próprio combate há pouquíssimo desafio – a dificuldade mais alta só é desbloqueada ao terminar a campanha

Vale o Preço?

Olha, R$ 259 na Steam não é barato, especialmente pra um jogo que dura cerca de 16 horas de campanha. Mas a qualidade está lá. Por R$ 259, em um mercado onde tantas publishers AAA cobram R$ 349 com retornos decrescentes, é um ótimo negócio pelos padrões do que os jogos podem ser capazes.

A progressão do jogo é satisfatória. Os coletáveis não são meros itens espalhados pelo cenário, eles têm funções que proporcionam recompensas significativas. Essa abordagem torna a exploração divertida, pois sempre há algo novo a cada descoberta. Vale o preço cheio se você curte experiências únicas, mas quem tem paciência pode esperar uma promoção.

Veredicto Final

Pragmata não é apenas material para jogo do ano, mas também uma das IPs mais empolgantes dos últimos anos. A Capcom fez uma aposta arriscada, baseando todo o loop de combate em um minigame de hacking em tempo real, mas ele permanece envolvente durante toda a jornada. Espero que a Capcom faça uma sequência, porque há uma base incrível aqui. COMPRA sem medo – é uma das experiências mais originais que joguei em anos.

🎮

Nota EpicPixel

Hype Score
4.3/5

Veredicto: COMPRA — Sistema de combate único e história tocante fazem valer cada centavo