Desde que terminei Returnal em 2021, eu sabia que ia ficar esperando ansioso pelo próximo jogo da Housemarque. Quando anunciaram Saros no final do ano passado, confesso que fiquei meio receoso — será que eles conseguiriam capturar aquela magia novamente sem simplesmente repetir a fórmula? Depois de passar dezenas de horas explorando o planeta Carcosa, posso dizer que sim, eles conseguiram.
O Que É o Jogo
Saros é um jogo de ação exclusivo para PlayStation 5, lançado em 30 de abril por R$ 399,90 (ou R$ 455,90 na versão Digital Deluxe). Desenvolvido pela Housemarque, que agora é subsidiária da PlayStation Studios, o jogo representa a evolução natural do que eles fizeram em Returnal — um “bullet ballet” em terceira pessoa que combina ação frenética com progressão permanente.
É um jogo de ação cinematográfico com gameplay eletrizante, batalhas contra chefes espetaculares e uma história misteriosa. Diferente de Returnal, que era mais solitário, aqui você tem uma equipe e um hub central para voltar sempre. O jogo usa todos os recursos do PS5, desde o SSD ultrarrápido até o feedback háptico do DualSense.
A História (sem spoilers grandes)
Você joga como Arjun Devraj (interpretado pelo ator Rahul Kohli, de Midnight Mass), um executor da Soltari em busca de respostas no planeta Carcosa. Carcosa é uma colônia perdida repleta de segredos obscuros e habitantes hostis, tudo sob a sombra de um eclipse sinistro. Arjun não está sozinho — ele chega com uma equipe inteira enviada pela corporação Soltari.
A diferença para Returnal é gritante. Enquanto Selene estava completamente isolada, aqui você tem companheiros, diálogos constantes e um mistério corporativo se desenrolando. O Eclipse distorce muito mais do que apenas espaços físicos — atormentados por alucinações e paranoia, até seus aliados mais próximos podem se tornar sua maior ameaça. Isso cria uma tensão psicológica que vai além do combate.
Gameplay — Como É Jogar de Verdade
A grande mudança é que as runs agora são muito mais curtas — em média 30 minutos, com um sistema de viagem rápida que permite revisitar biomas anteriores após a morte. Isso resolve um dos maiores problemas de Returnal: não é mais aquela agonia de perder uma hora de progresso por um erro bobo. Quando você morre, volta mais forte mesmo — literal.
O combate evoluiu de forma brilhante. Agora você tem um escudo (R1) que absorve projéteis inimigos e os converte em munição para armas especiais. Como a munição vem dos projéteis inimigos, Saros na verdade te incentiva a correr em direção ao perigo. É uma inversão total da lógica do bullet hell tradicional.
O sistema de tiro alternativo continua usando os gatilhos adaptativos — você segura o gatilho até a metade para ativar o modo alternativo da arma, e isso é mais divertido que em Returnal. Tem até uma função Segunda Chance que te revive instantaneamente na primeira morte, ajudando a manter o ritmo. Depois disso, é progressão permanente pura — você sempre volta mais forte.
Momentos Que Ficaram na Memória
A primeira vez que enfrentei o chefe Prophet foi inesquecível. Ele me derrotou várias vezes antes de eu conseguir pegar o jeito, mas quando finalmente consegui, foi aquela sensação pura de conquista que só os jogos da Housemarque sabem entregar. O momento em que você para de tentar jogar como Returnal e abraça as mecânicas do escudo é quando tudo clica.
Tem um momento no segundo bioma em que você está numa planície aberta e de repente o eclipse acontece. O céu escurece, a música fica mais tensa, e os inimigos começam a disparar projéteis amarelos corruptos que drenam sua vida máxima. A única forma de limpar esse efeito corrupto é usando ataques especiais. É puro desespero controlado.
A interação com os companheiros de equipe é muito bem feita. Tem um diálogo específico em que você percebe que nem todos confiam na Soltari, e a paranoia começa a se instalar entre o grupo. A Housemarque promete um impacto psicológico na tripulação, e isso realmente se desenvolve ao longo do jogo de forma orgânica.
Dicas Para Quem Vai Jogar
- Esqueça tudo que você aprendeu em Returnal sobre ficar longe dos projéteis — aqui você precisa absorvê-los com o escudo para ter munição especial
- Use a função Segunda Chance sem medo — ela existe para você aprender os padrões dos chefes sem frustração
- Explore bastante o hub The Passage entre as runs — tem muito lore e desenvolvimento de personagem ali
- Não ignore os tiros alternativos — apertar o gatilho até a metade muda completamente como cada arma funciona
- Quando o eclipse acontecer, priorize limpar os projéteis amarelos corruptos o mais rápido possível
O Que Está Ótimo
- Gráficos perfeitos rodando a 60fps sólidos no PS5, com design de ambientes impressionante
- Sistema de escudo que transforma completamente a dinâmica do combate bullet hell
- Uso excepcional do DualSense — entre os melhores da geração
O Que Podia Ser Melhor
- O ritmo da narrativa é irregular — horas sem desenvolvimento seguidas de sequências densas
- Continua sendo um jogo desafiador que pode frustrar jogadores casuais
Vale o Preço?
O preço de R$ 399,90 coloca Saros na categoria premium do PS5, e honestamente, ele justifica. A produção é de altíssimo nível, o jogo foi desenvolvido especificamente para o console, e a quantidade de conteúdo é substancial. Se você curtiu Returnal, não tem nem o que pensar.
Para quem nunca jogou um bullet hell da Housemarque, talvez valha esperar umas impressões de amigos primeiro. O jogo é mais acessível que Returnal, mas continua exigindo dedicação e paciência. Se você é do tipo que abandona jogo por frustração, melhor esperar uma promoção.
Veredicto Final
Saros conseguiu superar Returnal contando uma história maior e mais pessoal, com foco em remover barreiras frustrantes mantendo os jogadores sempre progredindo. É um sucessor espiritual maravilhoso, mas evoluído, com dificuldade bem calibrada e potencial para ser jogo do ano. COMPRA sem dúvida — especialmente se você tem PS5 e curte ação intensa. A Housemarque provou mais uma vez que sabe fazer bullet ballet como ninguém.
Nota EpicPixel
4.0/5
Veredicto: COMPRA — A Housemarque evoluiu a fórmula perfeita de Returnal criando algo ainda mais acessível sem perder a intensidade
