EP219 — Review: Control Resonant — a sequência que trocou os tiros por porrada e ainda assim ficou mais assustadora

Confesso que fiquei com o pé atrás quando vi que Control Resonant ia trocar os tiros telecinéticos do primeiro jogo por combate corpo a corpo estilo soulslike. Control original é praticamente um objeto de culto aqui na redação, então qualquer mudança grande soava arriscada. Joguei a campanha inteira nesta primeira semana de lançamento e saí do outro lado surpreso: é diferente, é estranho, mas continua sendo inegavelmente Remedy.

O Que E o Jogo

Control Resonant é a sequência direta de Control, desenvolvida pela Remedy Entertainment e lançada em 24 de setembro de 2026 para PC, PS5 e Xbox Series X|S. Também está disponível via GeForce NOW, e a Remedy já confirmou uma versão para Mac ainda neste ano. A edição padrão sai por cerca de R$ 219,95 (ou US$ 59,99 fora do Brasil), enquanto a Digital Deluxe custa R$ 258,95 e vem com traje extra, artefato exclusivo, artbook digital e trilha sonora original.

No PC, o jogo pede espaço generoso, 120 GB em SSD, e traz suporte a path tracing, DLSS 4.5 e FSR 4.1, o que já entrega uma pista de que a Remedy foi pesada na parte visual. A boa notícia para quem joga por aqui é que o jogo tem interface, legendas e dublagem completas em português do Brasil, algo que ainda é raro em lançamentos triplo A desse porte.

A Historia (sem spoilers grandes)

A trama se passa sete anos depois dos eventos do primeiro Control. Jesse Faden, protagonista original, desapareceu sem deixar rastro e ninguém do Bureau Federal de Controle sabe explicar o motivo. Como plano B, a organização libera Dylan Faden, o irmão dela, que passou boa parte da vida trancafiado, para conter uma entidade extradimensional que escapou e começou a distorcer as ruas de Nova York.

O que mais me pegou foi como a história usa essa premissa meio maluca de invasão sobrenatural para falar de algo bem mais terra a terra, a relação quebrada entre os dois irmãos. Dylan carrega ressentimento, culpa e uma baita insegurança por ter vivido isolado enquanto Jesse virou praticamente uma lenda dentro do Bureau. Dá pra sentir que os roteiristas da Remedy amadureceram bastante desde o primeiro jogo, a narrativa aqui é mais pé no chão emocionalmente, mesmo estando embrulhada em realidade alternativa e física quebrada.

Gameplay — Como E Jogar de Verdade

Aqui está a maior virada de mesa da franquia. Esqueça a arma que virava rifle, espingarda e granadeira do primeiro jogo. Dylan usa uma arma viva chamada Aberrant, que pode assumir formas diferentes de combate corpo a corpo. Cada forma tem um ataque leve chamado Primário e um ataque pesado chamado Secundário, que consome resistência. No começo você escolhe entre o Glaive, uma arma ampla ótima pra controlar grupos de inimigos e recomendada pra quem está começando, e o Strike, um par de adagas rápidas com 30% de chance de crítico já de cara, perfeita pra quem curte builds mais agressivas e arriscadas.

O loop de combate é simples de entender mas difícil de dominar. Só acertar golpes corpo a corpo recarrega seu Poder, e só matar inimigos recupera sua vida. Gastar Poder em habilidades sobrenaturais enche a barra de Vacilo dos inimigos, e quando ela estoura você pode executar um golpe finalizador que concede um bônus temporário de dano chamado Domínio. Isso cria uma dança constante entre bater no talo, gastar poder pra abrir brechas e arriscar tudo pra fechar com uma execução. Funciona muito bem quando você pega o ritmo, e é nesse ponto que o jogo mais lembra Dark Souls, principalmente nas lutas contra os Resonants, entidades gigantes espalhadas pela cidade distorcida.

O mapa de Nova York deformada é um parque de diversões pra explorar. A Remedy deixou claro que o jogo é feito pra ser aberto, seguir só a missão principal deixa você fraco demais pra enfrentar os desafios do meio e do fim de jogo. Isso significa desviar do caminho principal o tempo todo, pegar missões secundárias, procurar upgrades escondidos e caçar Resonants opcionais só pelo prazer de desbloquear novas habilidades. Achei esse ritmo ótimo nas primeiras dez, doze horas, mas ele começa a repetir a fórmula lá pelo terço final, com menos surpresas estruturais do que a primeira metade prometia.

Vale destacar que logo nos primeiros dias após o lançamento a Remedy já soltou um patch de dia um reduzindo a dificuldade de inimigos comuns e chefes, depois de uma enxurrada de reclamações de que o jogo estava punitivo demais logo no início. Joguei antes e depois desse ajuste, e sinceramente prefiro a versão mais dura, mas entendo quem reclamou, os primeiros combates realmente exigem um nível de precisão que o jogo não ensina direito.

Momentos Que Ficaram na Memoria

A primeira luta contra um Resonant chamado O Artista me deixou de queixo caído. A arena inteira se reconstrói em tempo real enquanto você luta, paredes viram teto, o chão vira parede, e você precisa reagir a essas mudanças de gravidade no meio do combo. Foi o momento em que percebi que a mudança pra melee não era só estética, era necessária pra esse tipo de cenário caótico funcionar.

Tem uma cena no terceiro ato, sem entregar detalhes, onde Dylan encontra um registro de áudio de Jesse gravado pouco antes dela sumir. A dublagem em português brasileiro nessa cena específica é tão bem entregue que fiquei sentado olhando pra tela por um bom tempo depois dos créditos da missão rolarem. Raramente vejo dublagem nacional carregar tanto peso emocional em um jogo assim.

E claro, teve o lado frustrante. Antes do patch de dia um, morri umas oito vezes seguidas pra um Resonant do meio de jogo por causa de um bug de câmera que travava perto de paredes destruídas, me deixando cego bem na hora do golpe final dele. Depois do ajuste isso melhorou um pouco, mas a câmera ainda erra a mão em espaços apertados, algo que espero ver corrigido em próximas atualizações.

Dicas Para Quem Vai Jogar

  • Comece com o Glaive se você não tem experiência com jogos de combate mais técnico, ele perdoa mais os seus erros de timing.
  • Não siga só o marcador da missão principal, o jogo foi desenhado pra você se perder na cidade e farmar upgrades opcionais antes dos chefes maiores.
  • Lembre que matar inimigos cura você, então em combates difíceis é melhor focar em eliminar um alvo fraco do que ficar só bloqueando na defensiva.
  • Se você jogar no PC, atualize os drivers de vídeo antes de instalar, o jogo é pesado e já teve relatos de travamentos com drivers desatualizados.
  • Aplique o patch de dia um antes de começar, ele resolve boa parte dos picos de dificuldade injustos das primeiras horas.

O Que Esta Otimo

  • Direção de arte e level design surreal continuam sendo a marca registrada da Remedy, e aqui atingem um nível novo de ousadia.
  • A história sobre os irmãos Faden é o roteiro mais maduro e emocional que a Remedy já entregou.
  • Sistema de combate corpo a corpo profundo o suficiente pra sustentar builds variadas sem virar repetitivo nas primeiras horas.

O Que Podia Ser Melhor

  • Elementos de RPG são rasos, upgrades pouco variados e a sensação de progressão mecânica é mais simples do que o jogo parece prometer no começo.
  • Câmera em espaços fechados e otimização no PC ainda precisam de ajuste, mesmo depois do patch de lançamento.

Vale o Preco?

Pelos R$ 219,95 da edição padrão, dá pra dizer que vale sim o preço cheio, principalmente se você gosta de jogos com identidade forte e não se importa em enfrentar um pouco de atrito técnico logo na semana de lançamento. A campanha principal mais o conteúdo opcional relevante dão uma média de 25 a 30 horas, o que coloca o custo por hora numa faixa bem razoável pra um triplo A desse calibre.

Se você é mais cauteloso com otimização de PC ou prefere esperar os primeiros patches de correção de câmera, não tem problema nenhum em aguardar uma promoção daqui a um ou dois meses. Mas quem gosta de acompanhar lançamentos no calor do momento, discutir teorias e comparar experiências com a comunidade, vale entrar já.

Veredicto Final

Control Resonant é a prova de que a Remedy consegue reinventar uma fórmula sem perder a alma que fez a franquia ser amada. Trocar tiros por porrada foi um risco calculado que compensou, mesmo com uma progressão de RPG mais rasa do que eu esperava e alguns tropeços técnicos que ainda precisam de atenção. Minha recomendação é COMPRA, principalmente se você curtiu o primeiro Control ou tem apreço por jogos que não têm medo de ser estranhos.

🎮

Nota EpicPixel

Hype Score
4.3/5

⭐⭐⭐⭐⭐

Veredicto: COMPRA — é o jogo mais ousado da Remedy até hoje, com ressalvas pontuais de otimização no PC que devem ser resolvidas em patches.