EP146 — A Microsoft Destruiu a id Software e os Devs Foram às Ruas: Esse é o Maior Escândalo do Ano no Xbox

A semana foi pesada no universo Xbox, e hoje, 17 de julho, a poeira ainda não baixou. Os criadores de Doom, Quake e Wolfenstein foram quase exterminados pela Microsoft. E a resposta da comunidade foi colocar os pés na rua, literalmente.

O Que Rolou

No começo de julho, a Microsoft anunciou um corte massivo dentro da divisão Xbox. A empresa divulgou planos de eliminar 3.200 cargos, algo em torno de 20% de sua força de trabalho. O número já era chocante por si só, mas o que virou manchete foi o alcance dos cortes nos estúdios mais queridos da Xbox.

Entre os atingidos estavam a Zenimax (desenvolvedora de Starfield e Elder Scrolls), a id Software dos jogos Doom, a Obsidian, e a Activision. A que mais chocou todo mundo foi a id Software. A desenvolvedora de Doom: The Dark Ages foi praticamente destruída, com fontes apontando que cerca de 50% dos funcionários do estúdio foram demitidos. Documentos oficiais apresentados às autoridades do Texas confirmaram os números com mais precisão: a id Software perdeu um total de 136 pessoas, entre funcionários presenciais e remotos, o que representa a maior parte da força de trabalho do estúdio.

Na ZeniMax Online, responsável pelo Elder Scrolls Online, o cenário também foi brutal. Mais de 200 desenvolvedores foram demitidos do estúdio, e bem mais da metade da id Software foi cortada. Na Obsidian, cerca de 60 a 70 desenvolvedores foram dispensados, incluindo produtores, artistas, designers, programadores, testadores de controle de qualidade e escritores. A resposta dos trabalhadores veio rápido: no dia 15 de julho de 2026, centenas de desenvolvedores marcharam simultaneamente em seis localidades da Xbox em quatro cidades diferentes, numa ação coordenada sem precedentes na história do setor de jogos. Hoje, dia 17, os protestos envolvendo funcionários da ZeniMax, Bethesda, id e Obsidian continuam a ecoar pela América do Norte.

O Contexto Por Trás

Nada disso caiu do céu. A Xbox já realizou pelo menos uma rodada de demissões em massa por ano nos últimos três anos. A nova diretora executiva da divisão, Asha Sharma, que assumiu o lugar de Phil Spencer em fevereiro de 2026, enquadrou tudo isso como um “reset” necessário. Ela admitiu que a Xbox está “perdendo 64 centavos para cada dólar investido” e declarou que “nosso negócio hoje não está saudável”, operando com margens de três a dez vezes menores do que empresas comparáveis do setor. A estratégia a partir de agora é focar nas franquias mais fortes: segundo a Bloomberg, a Bethesda vai se concentrar em Fallout, The Elder Scrolls, Doom, Quake e Wolfenstein.

O problema é que cortar pela metade a equipe que faz o Doom para “focar no Doom” não faz muito sentido na prática. De acordo com o sindicato CWA, a id Software tinha 185 funcionários no final do ano passado. Muitos dos demitidos trabalhavam no desenvolvimento do motor gráfico id Tech, incluindo dois programadores líderes e um diretor técnico. Pior: o sindicato CWA entrou com uma ação legal contra a Microsoft no próprio dia 15 de julho, e a filial canadesa também planeja tomar medidas legais por conta das demissões na Bethesda Game Studios em Montreal. A situação foi longe. E não parece que vai parar por aqui, já que a Microsoft ainda planeja demitir outras 1.600 pessoas nos próximos meses.

O Que a Comunidade Tá Falando

A reação foi de revolta praticamente unânime. John Romero, cofundador da id Software e um dos criadores do Doom original, se manifestou publicamente para expressar solidariedade aos demitidos. Ele escreveu que “é uma coisa estranha e dolorosa se afastar de um lugar que guarda tanto do seu trabalho, amizades e história”, elogiando as equipes que “mostraram cuidado, habilidade e respeito” pelos mundos que esses jogos representam. Já um ex-artista de efeitos visuais da id, Derek Best, foi ainda mais direto no LinkedIn: “ainda estou em choque com a brutalidade dos cortes. Coletivamente, décadas de conhecimento foram apagadas do estúdio.”

Nas redes sociais, o coro foi parecido. A demissão de 3.200 trabalhadores na Xbox, numa sequência que já acumula mais de 10.000 cortes em apenas dois anos, fechou estúdios como Compulsion Games, Double Fine, Undead Labs, Ninja Theory, Tango Gameworks e Arkane Austin. Mais de 150 pessoas compareceram apenas na manifestação em Rockville, onde fica a sede da ZeniMax. O sindicato OneBGS deixou claro que não vai aceitar as demissões como um fato consumado: a entidade exige transferências preferenciais, indenizações mais robustas, planos de saúde estendidos e direitos de recontratação para os membros dispensados.

Curiosidades Que Você Não Sabia

  • A maioria dos funcionários da id Software se sindicalizou em dezembro de 2025, poucos meses antes das demissões. A ideia era justamente ter proteção legal em casos como esse. Não foi suficiente para evitar o corte, mas está sendo a base da ação judicial agora.
  • A id Software disse oficialmente que o tamanho atual da equipe é aproximadamente o mesmo que tinha quando desenvolveu o Doom de 2016. O estúdio claramente cresceu muito desde então para entregar jogos maiores. Voltar para esse tamanho agora é, na prática, um retrocesso enorme.
  • Antes das demissões, a id Software estava trabalhando em múltiplos projetos internos: um jogo original chamado Fury, de estilo “gun fu” com influências noir e ficção científica, uma proposta de novo jogo da franquia Perfect Dark, e um jogo de sobrevivência estilo faroeste robótico chamado Ironwood. Tudo isso foi junto com as demissões.

Nossa Opinião

Honestamente? Isso é difícil de assistir. A id Software é um nome que não precisa de apresentação para ninguém que joga há mais de dez anos. Estúdio que criou o Doom em 1993, que inventou o jogo de tiro em primeira pessoa como a gente conhece, que voltou com tudo em 2016 e entregou uma das trilogias mais bem recebidas dos últimos anos. Ver isso ser reduzido a uma casca do que era, cortando programadores, diretores técnicos e décadas de memória institucional, é desolador.

A justificativa da Microsoft de que está “focando nas franquias mais fortes” soa vazia quando você corta quase toda a equipe que as faz. Há relatos de que, se a id soubesse que as metas de receita eram o foco central, o Doom: The Dark Ages teria incluído modo multiplayer, já que boa parte do público jogou via Game Pass sem gerar receita direta para o estúdio. É um ciclo cruel onde o estúdio é punido pelas decisões de distribuição que a própria Microsoft tomou. A gente fica na torcida pelos trabalhadores que estão nas ruas e espera que a pressão do sindicato ao menos garanta condições dignas para quem foi mandado embora. Mas, sinceramente, não dá pra ser otimista com o que sobrou.

🎮

Nota EpicPixel

Hype Score
1.5/5

Veredicto: A Microsoft está destruindo um legado de 35 anos de uma vez só, e os trabalhadores finalmente decidiram que não vão engolir isso calados.