Vou ser sincero: não conhecia Hell is Us até vê-lo ganhando destaque nas discussões sobre jogos que desafiam as convenções modernas. A promessa de um jogo sem mapa, sem setas amarelas e sem marcadores me deixou curioso. Será que ele conseguiria me entregar aquela sensação clássica de descoberta que tanto falta nos jogos atuais?
O Que É o Jogo
Hell is Us é um jogo de ação-aventura em terceira pessoa com um mundo semiaberto para explorar. Desenvolvido pela Rogue Factor e publicado pela Nacon, chegou em 4 de setembro de 2025 para PS5, Xbox Series e PC. O título custa aproximadamente R$ 249,90 no Steam e em outras plataformas digitais.
A grande aposta do jogo é ser uma experiência “old school”, sem mapas acessíveis, marcadores de missão ou guias visuais que te digam onde ir. É um projeto ousado que quer resgatar aquela sensação dos anos 90, quando você precisava prestar atenção no ambiente e usar o cérebro para progredir.
A História (sem spoilers grandes)
Você joga como Rémi, um soldado da ONU que vai AWOL para chegar ao país isolado de Hadea, em busca dos pais desaparecidos. Abandonado por eles aos 5 anos e enviado para fora do país para ter uma vida normal longe dos conflitos, Rémi agora retorna adulto para descobrir a verdade.
O cenário é uma guerra civil entre duas nações vizinhas, onde toda a dor e o rancor despertaram criaturas bizarras que se escondiam no subterrâneo. Além da guerra, a região sofre com uma calamidade misteriosa que deu origem a criaturas sobrenaturais que nenhuma arma moderna consegue derrotar. É um ambiente pesado, onde a humanidade mostra seu lado mais sombrio.
Gameplay — Como É Jogar de Verdade
Hell is Us mistura elementos de RPG de ação com soulslike, mas sem ser punitivo, permitindo ajustar todos os parâmetros nas configurações. Por padrão, nem sequer existem penalidades por morrer – nenhum XP, item ou progresso é perdido. O sistema de morte é interessante: se você morrer, a criatura que está interrogando entende que Rémi tentou mentir e reajusta o soro para que ele retorne de onde parou.
O combate é simples: você ataca com Quadrado, interage com X, esquiva com Círculo, faz ataque pesado com Triângulo e bloqueia com L1. Tem toques de soulslike, mas com sutilezas próprias – as armas corpo a corpo são impregnadas com emoções como Raiva, Êxtase, Dor ou Terror. O problema é a falta de variedade de inimigos, com apenas dois “bosses” ao longo da história, que são basicamente Hazes com gimmicks chatas.
A exploração é outro fator especial, pois o jogo não tem mapa acessível o tempo todo, forçando o jogador a usar os instintos para se lembrar de locais e uma árvore de investigação para cumprir objetivos. Mapas até existem, mas só estão disponíveis em algumas telas e são sempre diegéticos – é a imagem de um mapa fixo, imutável, que exige interpretação para entender onde você está.
Momentos Que Ficaram na Memória
Me perdi completamente no início tentando encontrar uma abadia mencionada vagamente por um NPC. Passei mais de uma hora andando em círculos até perceber que precisava observar a silhueta de uma torre no horizonte. Quando finalmente a achei, a sensação de conquista foi genuína – algo raro nos jogos atuais.
Teve um momento em que precisei decifrar um quebra-cabeça usando apenas pistas de documentos espalhados pelo cenário. Não havia indicação visual alguma, apenas detalhes sutis no ambiente e textos que eu tinha coletado horas antes. Quando a peça caiu, foi como resolver um mistério de verdade.
O mais frustrante foi enfrentar o mesmo tipo de inimigo pela décima vez consecutiva. A falta de variedade no bestiário realmente cansa depois de um tempo, especialmente quando o combate já não é o ponto forte do jogo. Senti que estava perdendo tempo em lutas repetitivas quando queria explorar mais.
Dicas Para Quem Vai Jogar
- Leia TODOS os documentos que encontrar – eles contêm pistas essenciais para progredir
- Preste atenção em placas, marcos visuais e silhuetas no horizonte – são seus únicos guias
- Converse com todos os NPCs várias vezes – novos diálogos aparecem conforme você progride
- Use o drone para iluminar áreas escuras e encontrar pistas escondidas
- Tenha paciência – o jogo exige tempo para observar e interpretar o ambiente
O Que Está Ótimo
- Exploração livre de marcadores que incentiva a atenção ao ambiente e direção de arte consistente, com cenários que refletem o vazio sombrio
- Narrativa imersiva e design de fases elaborado, com exploração livre sem mapas, marcadores ou bússolas
- Gráficos de alta qualidade que rodam tranquilamente em 60 fps no modo desempenho
O Que Podia Ser Melhor
- Sistema de combate travado em certos momentos e pouca variedade de inimigos
- Layout pouco intuitivo do menu, sem método de ordenação de itens, torna a gameplay confusa
Vale o Preço?
Por R$ 249,90, Hell is Us está no limite do que eu consideraria justo para uma experiência AA. Com notas entre 77 e 82 no Metacritic e no OpenCritic, é um jogo que dividirá opiniões. Se você curte experiências mais experimentais e tem paciência para jogos que não seguram sua mão, pode valer o investimento.
Porém, considerando a duração (cerca de 15 a 20 horas para completar) e algumas limitações no combate e na variedade de conteúdo, eu esperaria uma promoção para algo em torno de R$ 180 a 200. É uma experiência única, mas não essencial a ponto de justificar o preço full no lançamento para a maioria dos jogadores.
Veredicto Final
Hell is Us é um grito de resistência por abordagens mais ousadas em uma indústria que se apega ao seguro. Trazer um level design da velha escola em 2025 dividirá opiniões, mas, se você se permitir, o jogo terá muito a oferecer. ESPERA PROMOÇÃO – é uma experiência interessante e corajosa, mas com limitações que não justificam o preço full para a maioria. Vale a pena para quem busca algo diferente e tem paciência para jogos que desafiam as convenções modernas.
Nota EpicPixel
3.8/5
Veredicto: ESPERA PROMOÇÃO — Um jogo corajoso, mas que não agrada todo mundo
