Trinta anos fazendo Pokémon. Trinta anos. E de uma hora pra outra a Game Freak aparece com uma protagonista humana, um cachorro de companhia e uma espada, num Japão pós-apocalíptico do ano 4026. A proposta é ousada. O resultado? Depende muito de quem você pergunta.
O Que Rolou
Beast of Reincarnation chegou no dia 4 de agosto para PS5, Xbox Series X/S e computador, publicado pela Fictions. O RPG de ação se passa num Japão pós-apocalíptico e acompanha Emma e seu cachorro Koo enquanto enfrentam criaturas corrompidas chamadas Nushi. Emma é uma jovem de 18 anos com poderes da Praga, capaz de manipular plantas para atravessar ambientes e combater inimigos. Diferente, né?
Este é o primeiro título AAA da Game Freak fora da série Pokémon, e é dirigido por Kota Furushima, que anteriormente trabalhou no sistema de batalha e no som de vários jogos da franquia. Ou seja, não é um projeto feito por um time qualquer, é alguém da casa que quis tentar algo diferente.
No OpenCritic, o jogo acumula 76 pontos com 45 críticos, recebendo o selo “Strong”, enquanto no Metacritic chega a 73 com 49 avaliações para o PS5. Não é o meteoro que alguns esperavam, mas também não é o vexame que outros apostavam. É aquele meio-termo que, dependendo da sua expectativa, pode ser ótimo ou frustrante.
O Contexto Por Trás
A Game Freak já tentou outras aventuras fora do universo dos monstrinhos antes, mas nunca com essa escala. O estúdio foi fundado em 1989 e começou com um jogo de quebra-cabeça chamado Mendel Palace para o NES. Depois vieram projetos como Tembo the Badass Elephant, lançado para PS4, Xbox One e computador, e Giga Wrecker, que chegou ao computador, todos nascidos de um programa interno chamado “Gear Project”, onde os desenvolvedores criavam jogos originais. Só que esses eram projetos menores, quase experimentos. Beast of Reincarnation é diferente: é a primeira vez que o estúdio aposta de verdade num título AAA com orçamento de verdade, engine Unreal 5 e distribuição em todas as plataformas principais.
Este é também o primeiro jogo da Game Freak a sair no PlayStation 5 e no Xbox Series X/S, e ainda chegou disponível no Xbox Game Pass desde o dia do lançamento. O movimento não é por acaso: a Game Freak quer provar que consegue brincar no playground dos grandes, e Beast of Reincarnation é a prova mais cara e mais ambiciosa disso até hoje. O diretor do jogo, Kota Furushima, chegou a declarar que a prioridade da equipe era entregar uma experiência de jogabilidade de qualidade, em vez de focar na fidelidade gráfica. Isso explica algumas das críticas que a gente vai falar já já.
O Que a Comunidade Tá Falando
A crítica especializada ficou dividida. O Dexerto elogiou o sistema de combate, comparando as esquivas ao estilo de Sekiro e os comandos de ação ao de Clair Obscure, dizendo que o jogo “não supera os títulos que o inspiraram, mas cria uma identidade bem própria”. Já a GamesRadar foi mais entusiasmada, dando 9 de 10 e chamando o combate de “sólido, justo e com bastante espaço para criatividade”. Mas nem todo mundo foi tão generoso. The Verge apontou que o jogo “tem tudo para ser uma surpresa de 2026, mas tropeça nas próprias ambições”, criticando problemas de desempenho e visuais que às vezes pareciam da geração anterior, além de uma câmera difícil de controlar em momentos tensos.
No Steam, a situação ficou ainda mais complicada. Os primeiros jogadores demonstraram opiniões bastante divididas na plataforma da Valve, com o jogo acumulando cerca de 52% de aprovação e recebendo o selo oficial de avaliações mistas na loja. As principais reclamações dos usuários envolvem a construção do mundo aberto pós-apocalíptico, com muitos jogadores considerando os cenários vazios e sem vida, mesmo após os trailers terem prometido um ecossistema vibrante. A Game Freak, pelo menos, não ficou quieta: passado pouco mais de um dia desde o lançamento, o estúdio já estava preparando a primeira grande atualização, confirmando que está atento às críticas da comunidade e que vai lançar uma série de correções contínuas. Isso conta ponto.
Curiosidades Que Você Não Sabia
- Beast of Reincarnation não surgiu do nada: o projeto existia desde 2023 com o codinome “Project Bloom”, sendo inicialmente desenvolvido sob a asa da Private Division antes de mudar de publisher.
- A Famitsu, a maior revista especializada do Japão, foi bem mais entusiasmada que as publicações ocidentais: três dos quatro revisores deram nota 9 de 10 para o jogo, e o quarto deu 8, totalizando 35 de 40.
- Mesmo o VGC, que deu apenas 6 de 10, concluiu que Beast of Reincarnation é “o melhor jogo não-Pokémon que o estúdio já fez” e pediu abertamente por uma sequência.
Nossa Opinião
Olha, a gente tem que dar crédito onde o crédito é devido. A Game Freak é um estúdio que passou três décadas praticamente inteiras dentro da mesma caixa de areia. Sair dela pra construir um RPG de ação AAA com câmera, física, combate em tempo real e narrativa densa é um salto enorme. O fato de terem aterrisado com 73 no Metacritic, e não no chão, já é uma vitória considerável. O jogo é descrito como “um título de ação surpreendentemente sólido” e “um passo corajoso” da parte do estúdio, mas sofre com excesso de ambição, narrativa que não ressoa com todo mundo e design de fases pouco inspirado.
A divisão de opiniões no Steam com 52% de aprovação diz muito sobre as expectativas infladas que a tag “criadores de Pokémon” carrega. Quem entrou esperando uma revolução do gênero pode ter saído frustrado. Quem entrou curioso pra ver o que o estúdio consegue fazer fora da zona de conforto, provavelmente se surpreendeu pra melhor. Nenhum dos jogos não-Pokémon anteriores da Game Freak havia gerado tanto barulho quanto Beast of Reincarnation, e isso sozinho já mostra que o estúdio está finalmente sendo levado a sério fora do universo dos monstrinhos. A base tá aí. Agora falta polir e crescer. Uma sequência, com mais tempo e mais confiança, pode ser algo realmente especial.
Nota EpicPixel
3.2/5
Veredicto: Uma estreia corajosa, mas cheia de ranhuras, que mostra um estúdio capaz de mais.
