EP163 — A Game Freak Larga os Monstrinhos e Joga uma Katana na Sua Cara: Beast of Reincarnation Chegou

Hoje é o dia. O estúdio que passou décadas mandando você escolher entre Charmander, Bulbasaur e Squirtle decidiu trocar os monstrinhos por uma katana, um Japão pós-apocalíptico e um cachorro de estimação. Beast of Reincarnation chegou e, com ele, veio uma das apostas mais arriscadas da história dos videogames: a Game Freak tentando provar que existe vida além de Pokémon.

O Que Rolou

Beast of Reincarnation lançou oficialmente em 4 de agosto, mas jogadores nos Estados Unidos já puderam começar a jogar na noite do dia 3, às 20h no horário de Nova York. Para quem está em São Paulo, o desbloqueio aconteceu às 21h no horário de Brasília, então muita gente já acordou hoje com o jogo instalado e rodando.

Dirigido por Kota Furushima, o jogo representa a propriedade intelectual original mais ambiciosa da Game Freak fora da franquia Pokémon, trocando a captura de criaturas por um combate técnico e maduro construído em Unreal Engine 5. A história se passa no Japão do ano 4026, e acompanha Emma, uma pária fundida com uma corrupção parasitária conhecida como a Blight.

Para conduzir a dupla, a Game Freak criou um sistema que combina ação e estratégia: Emma luta em tempo contínuo com sua katana, enquanto os comandos de Koo desaceleram o confronto e permitem escolher habilidades semelhantes às de um RPG por turnos. De acordo com as primeiras prévias, Beast of Reincarnation oferecerá uma campanha principal bem extensa, com cerca de 30 a 40 horas, sem levar em consideração as missões secundárias.

O Contexto Por Trás

O jogo foi anunciado em maio de 2023 com o codinome Project Bloom, numa parceria entre a Game Freak e a editora Private Division. Na época, pouquíssimos detalhes foram divulgados além da previsão de lançamento para 2026, a confirmação de Furushima como diretor e um único concept art mostrando uma mulher solitária numa floresta. Com o tempo, mudanças na estrutura da editora fizeram o projeto passar para a Fictions, mas o desenvolvimento continuou normalmente, e o nome definitivo foi revelado durante o Xbox Games Showcase de 2025.

Durante quase três décadas, a Game Freak construiu sua identidade ao redor de Pokémon. Mesmo tendo lançado outros jogos ao longo dos anos, nenhum deles recebeu um investimento comparável ao de Beast of Reincarnation. O diretor Kota Furushima explicou que o objetivo era criar uma experiência completamente diferente da série dos monstrinhos, permitindo que a equipe explorasse novas ideias de combate, narrativa e construção de mundo. O jogo estreou no dia 4 no Xbox e PC, disponível direto no Game Pass Ultimate e no PC Game Pass, mas não na assinatura Essential.

O Que a Comunidade Tá Falando

A recepção é exatamente o que você esperaria: dividida. Parte da galera tá animadíssima, outra parte tá esperando a review antes de abrir a carteira, e tem um terceiro grupo que simplesmente não confia na Game Freak depois do histórico de Pokémon Escarlate e Violeta. No ResetEra, tem gente dizendo que não estava nada animada no começo, mas que os vídeos mais recentes mudaram a perspectiva, embora a preocupação com o desempenho técnico continue presente, já que a Game Freak tem um histórico que preocupa nesse quesito.

As prévias foram bem positivas no geral, com a única hesitação sendo em relação à história, mas a maioria dos vídeos sinalizou que não havia material suficiente para ter uma opinião sólida sobre a narrativa. A edição padrão sai por 60 dólares e a deluxe por 70, e quem está no Game Pass pode simplesmente entrar e testar, o que tira boa parte da pressão de quem estava em cima do muro. No fim, a conclusão coletiva é: o jogo parece bom, mas a Game Freak ainda tem que provar.

Curiosidades Que Você Não Sabia

  • Curiosamente, mesmo sendo desenvolvido pela Game Freak, que praticamente criou a Nintendo nos últimos 30 anos via Pokémon, Beast of Reincarnation não tem versão para nenhum console da Nintendo. Ele está disponível para PC, Xbox e PS5, mas não para o Switch 2.
  • Revelou-se em janeiro de 2026 que apenas uma pequena parte do time da Game Freak trabalhou diretamente no jogo. O estúdio ficou responsável principalmente pela direção criativa e pela gestão do projeto, enquanto boa parte do desenvolvimento em si foi terceirizado para parceiros externos.
  • A versão de PS5 tem aprimoramentos no PS5 Pro e suporte à vibração e aos gatilhos do DualSense. Além disso, a PlayStation Store brasileira confirma modo offline para um jogador. No PC, o jogo também está disponível com interface e legendas em português do Brasil.

Nossa Opinião

A gente entende a cautela de quem está esperando review. Pokémon Escarlate e Violeta deixaram cicatrizes. Mas Beast of Reincarnation parece ser um caso diferente desde a raiz: o jogo apresenta direção artística, universo e sistemas de combate completamente diferentes de tudo que o estúdio já fez. O próprio Kota Furushima reconheceu que o visual realista foge da aparência normalmente associada ao estúdio, e a equipe escolheu essa abordagem porque considerou que combinaria melhor com a jornada de Emma e Koo por um mundo devastado. Seis anos de desenvolvimento, Unreal Engine 5, publicadora nova e uma liberdade criativa que a Game Freak jamais teve dentro da franquia Pokémon. Isso é diferente.

Beast of Reincarnation vem chamando atenção desde o primeiro trailer, e num primeiro momento o motivo era simples: ver a Game Freak desenvolvendo um RPG de ação com visual realista parecia improvável. Mas bastaram os primeiros trailers e as apresentações mais detalhadas para a curiosidade dar lugar ao entusiasmo. Quem tiver Game Pass não tem desculpa para não dar pelo menos uma hora de chance. E quem tiver no PS5 ou quiser comprar no PC, nossa sugestão é esperar as primeiras análises, que devem sair ainda hoje. Seja lá qual for o veredito, esse lançamento já entrou para a história como o momento em que a Game Freak finalmente tentou ser mais do que o estúdio de Pokémon.

🎮

Nota EpicPixel

Hype Score
4.0/5

Veredicto: Uma aposta corajosa e ambiciosa que pode mudar o que o mundo pensa sobre a Game Freak, mas a desconfiança da comunidade com o histórico do estúdio ainda pesa.